Quem conta um Conto: A cápsula: Parte 2

Agora vamos para a segunda parte de meu conto de horror! Se não leu a primeira está no post de baixo.

3h dia 08-03-2136

Os sonhos da minha tripulação continuaram e isso passou a me preocupar. Nos dois dias que estivemos lá percebemos o quão incomodo era para as pessoas da estação nossa presença. Inicialmente acreditei que era pelo fato de estarmos armados e sermos membros do exército em um ambiente arqueológico. Porém percebemos que poderia ser mais que isso quando o técnico Baltazar foi atacado por dois membros da escavação. Ele estava verificando o tal problema de comunicação e percebeu que estava tudo perfeitamente em ordem. Então ao chegar na parte inferior da estação foi surpreendido por dois técnicos que o agrediram. Isso gerou uma grande tensão entre meus subordinados e os membros da equipe de pesquisa que precisou de minha intervenção e do Dr. Kyu. Porém percebi que o Dr. Kyu ficou feliz com a atitude de seus subordinados e, segundo ele, para evitar novos problemas nossa equipe deveria se manter nos alojamentos aguardando para a saída. Baltazar nos contou depois que enquanto descia descobriu uma prisão improvisada na parte inferior da estação. Ele ouviu gritos de socorro dentro da prisão mas não teve tempo de identificar quantas pessoas estavam no local, pois foi surpreendido pelos dois homens. Antes de ser arrastado para a superfície da estatação ele jurou ter visto gigantescos olhos em uma das paredes que davam para o furo no Centro do Asteróide.

Naquela noite eu novamente tive o sonho evolvendo a fuga da nave e o estranho mantra em torno do buraco. Quando acordei suado e desorientado resolvi dar uma volta pela estação. Assim que abri a porta de meu alojamento encontrei a tenente Lima prestes a bater. Ela fez um sinal de silêncio para mim e pediu que a seguisse. Quando chegamos até a área de observação da escavação parei sem palavras ou ação. Em torno do furo no chão todos os pesquisadores estavam recitando um estranho mantra.

12h dia 09-03-2136

Após o incidente da ultima madrugada eu reuni minha equipe para tentar desvendar o que estava havendo na estação. O técnico Baltazar apresentou um comportamento estranho e violento. Ele repetia frases sem sentido e quase agrediu o outro técnico Fernandes durante uma discussão sem fundamento. Nosso acesso ao restante da estação ficou restrito após o incidente com Baltazar e por isso  ficamos isolados em nossos alojamentos. Pedi ao soldado Lorenzo para investigar as áreas inferiores da estação. Ele usou uma máscara de filtragem para evitar algum efeito dos tais bolsões de ar que suspeitávamos ter afetado Baltazar. O técnico Fernandes hakeou a rede da estação para buscar avaliar os vídeos de segurança para descobrir o que tem ocorrido na estação na última semana.

Nos vídeos ele retornou até o momento em que a cápsula foi retirada do furo. Notamos uma atividade muito acima da que era vista hoje na estação. Ela foi levada para a sala de pesquisas onde foi estudada por uma semana. Após a retirada da cápsula, o grupo de trabalhadores que fez o trabalho ficou violento e precisou ser contido sendo levado para o subsolo da estação. Durante as pesquisas foram encontrados os símbolos na parte externa e foi apertado o botão por um pesquisador. Um som agudo foi emitido após a abertura e todos os pesquisadores caíram tapando os ouvidos. Houve interferência dos vídeos a partir daí. Vimos muito pouco, apenas o trabalho para alargar o furo e a redução drástica da atividade em toda a estação ficando concentrada na cápsula e no furo. Fernandes conseguiu recuperar parte do material perdido. Nele vimos uma imagem turva de a tripulação em torno do furo e pela imagem esfumaçada parecia algo saindo do buraco. Pelo tamanho imaginamos ser uma coluna de fumaça embora tivesse uma estranha forma semelhante a de uma serpente ou minhoca.

01h dia 10-03-2136

Lorenzo não voltou da investigação o que nos deixou apreensivos. Tentei contato com ele através do rádio, mas ele não respondia e havia apenas estática. A tenente Lima se disponibilizou para ir atrás dele, então percebemos que Baltazar também havia desaparecido. Ele estava descontrolado demais e por isso nós o neutralizamos com calmantes e o amarramos na cama. A soldado Karina ficou de guarda, mas ele a enganou e conseguiu escapar. Durante a fuga ele atirou contra ela duas vezes. Tentamos socorre-la mas era tarde demais. Após percebermos a fuga de Baltazar tentamos novamente entrar em contato com o soldado Lorenzo novamente sem sucesso. Então chamei o Dr. Kyu até os alojamentos para informar que havia um homem violento a solta.  Ele esta aqui e estou indo encontrar com ele mas a tenente Lima já me informou que outros cinco homens estão com ele e estão armados. Acho que seremos detidos.

dia 11-03-2136

dia 12-03-2136

01h dia 13-03-2136

Acho que consegui…. (estática) …vamos droga! (estática) Capitão Guimaraes voltando a transmissão do diário de bordo. Estava detido nos ultimos dois dias mas consegui escapar e fugir da estação Antares. Não sei se os fatos que relatarei a seguir realmente aconteceram, ou se foram produto de minha mente cansada por algum tipo de gás alucinógeno que havia na estação. Espero que eu esteja drogado.

Quando chegou até o nosso alojamento o Dr. Kyu estava aparentemente calmo porém seus olhos estavam com profundas olheiras e veias vermelhas pulsavam em suas escleróricas. Informei do incidente e ele disse que não precisaria se preocupar pois o sargento não iria matar ninguém na estação. Quando o questionei por isso Baltazar e outros cinco técnicos entraram não alojamento. Estavamos detidos, fomos entregues por Baltazar. Tentamos lutar, consegui derrubar um dos capangas assim como a tenente Lima também o fez. Lutamos no alojamento mas não foi suficiente, Nosso piloto Ferreira ao tentar atacar o Dr. Kyu foi morto com um tiro disparado por Baltazar. Durante o embate fomos neutralizados com armas de choque e carregados. Ao sermos levados para a parte inferior da estação fomos colocados na prisão improvisada. Lá não havia ninguém além de nós. Várias manchas de sangue estavam por toda a parte. Não questionei ao Dr. Kyu o paradeiro de Lorenzo esperando que este estivesse escondido pela estação.

Passamos o dia presos e não ouvimos mais atividades na estação, apenas ruídos no fundo do asteróide abaixo de nós. Como se houvesse algo grande se movendo. No final do dia Dr. Kyu se aproximou de nós e mandou que seus capangas tirassem um de nós de dentro da cela. Tentamos evitar mas fomos impedidos com armas de choque. O técnico Fernandes foi retirado da cela e levado. Cerca de uma hora depois pudemos ouvir o estranho mantra recitado pelos tripulantes. Um tremor nos atingiu. Ouvimos algo subir pelo furo. Pelo tamanho do tremor e do ruido feito acreditamos que foi uma explosão de gás no fundo e que uma coluna subiu. Porém ouvimos um rugido. O mesmo que ouvíamos em nossos sonhos.

Após o incidente continuamos presos. O técnico Fernandes não voltou. O nosso piloto Hermes ficou paranóico após o incidente e começou a ficar desesperado para sair da cela. Tentamos acalmá-lo mas não adiantou muito. Ele se debatia e gritava dizendo que havia alguma coisa no asteróide e que seriamos devorados por ela. O Soldado Straus teve de desacordá-lo. Passamos a arquitetar um plano de fuga. Tentei entrar em contato novamente com Lorenzo mas não conseguimos. Novamente o Dr. Kyu voltou. Ele dessa vez levou o piloto desacordado. Novamente, o mesmo tremor, e o rugido se seguiram.

Eu e a tenente estávamos pensando no plano de fuga quando apareceu diante de nossa cela o soldado Lorenzo. Ele apresentava um ferimento no ombro. Disse que foi atacado e pensaram que ele estava morto. Ele abriu a cela e contou que tentaria nos levar para Garuda para fugirmos. Ele disse que precisávamos sair logo dali pois haviam instalado propulsores no asteróide. Eles iriam tirá-lo de sua orbita normal. Levá-lo para algum lugar habitado. Porém não chegamos até a nave. Durante nossa fuga quando chegamos na parte externa do asteróide Lorenzo se virou para nós armado e disse que deveríamos cooperar. Fomos cercados pelos membros da Estação e conduzidos até a beirada do furo. Vimos junto aos membros da estação com iguais olheiras e olhos pulsantes os membros da minha tripulação que foram tirados da cela. Lá o Dr. Kyu apareceu e com um sorriso e disse que seriamos agregados a comunidade. Segundo as palavras dele “O grande Gollodoth irá iluminá-los para assim seguirmos nossa viagem” Quando perguntei qual era o destino da viagem em questão ele respondeu que iriamos voltar para casa. Iríamos para a Terra.

Após o discurso do Dr. Kyu eles passaram a recitar os mantras e nos colocaram na beira do grande furo. A tenente Lima ficou apreensiva e disse que precisaríamos sair dali o mais rápido possível. Então o tremor começou. Olhando para baixo no furo não acreditei no quem meus olhos viram. Algo se mexia dentro do furo e percebi que subia para a superfície. Consegui distinguir algo que parecia uma cabeça quilométrica com vários pares de olhos e com uma bocarra imensa se abrindo. Então a coisa saiu de dentro do furo. Era imensa. Parecia um verme gigantesto com uma cabeça grande repleta de olhos e com uma bocarra cercada por dois pares de tenazes. No centro uma língua grande dividida por tentáculos saltava para fora. O verme rugiu um som impossivel de ser descrito. Ela ficou de pé no furo como uma naja. O que fez com que percebêssemos o tamanho assustador que possuía. Então aproximou a cabeça de nós e expeliu vários espóros do corpo. Os espóros pareciam grandes insetos que caiam no chão e caminhavam com pernas estranhas em direção aos seres vivos mais próximos. Os membros da tripulação não se incomodaram quando vários deles entraram pela carne de seus braços e pernas. Straus foi atingido por alguns esporos e caiu no chão se contorcendo. Vimos as coisas andando sob sua pele e indo em direção à cabeça. Então olhei para a tenente que fez um sinal de cabeça para mim. Nós dois nos aproveitamos que estavam todos absortos nos mantras e nos livramos dos nossos ex-amigos que nos seguravam na beira do furo. A tenente jogou o sargento Baltazar no buraco enquanto eu desacordei Fernandes e Hermes. O soldado Straus se contorcia no chão tossindo sangue. Tentei ajudá-lo mas a tenente me disse que não havia tempo. Atiramos com as armas que conseguimos nos espóros e nos viramos para fugir. Atiramos em quem entrou em nossa frente. Quando chegamos na parte superior percebemos que o monstro estava nos perseguindo. Se rastejando pela estação atrás de nós. Eu e a tenente chegamos até a nave e tivemos dificuldade de ligá-la. Ouvíamos pela transmissão ligada o mantra demoníaco recitado pelos membros da tripulação enquanto os tremores da aproximação do ser ficavam mais próximos. Ligamos Garuda pouco antes de avistarmos a cabeça gigantesca do monstro se aproximando do hangar.

Durante a viagem a tenente disse que havia algo no compartimento de carga. Quando verifiquei não pude acreditar. Era a cápsula. Ela deveria ter sido colocada em nossa nave para que a levássemos para a Terra. A Tenente disse que talvez a cápsula fosse uma espécie de sinalizador daquela coisa. Porém algo saltou sobre a tenente. Mas não era isso que a preocupava. Ela sentiu uma presença de algo vivo no compartimento. Um dos espóros do monstro estava na cápsula. Ele saltou sobre a tenente e entrou em seu braço. Ela gritou por ajuda mas não consegui impedir que o ser entrasse em seu corpo. Ela começou a tossir sangue e implorou que eu a matasse. Exitei por um instante porém quando seus olhos começaram a ficar vermelhos saquei minha arma e disparei.

Este é o ultimo relatório da unidade Garuda. Estou rumando em direção da estrela mais próxima. Como é arriscado levar esta cápsula para qualquer local habitado decidi destruí-la.  Programei a unidade para a rota com a estrela. Como os sistemas podem se comprometer durante a viagem devido ao campo gravitacional da estrela irei guiá-la pessoalmente. Espero que funcione.

Fim do diário de bordo.

P.S. Ficou grande né…Espero que tenham gostado

P.S. A nave se chama Garuda pois é um ser mitológico indiano, um pássaro do sol. Pensei que como o destino final dela seria numa estrela ficava apropriado. Além de fugir do clichê de colocar o nome de Ícaro…

Publicado em julho 15, 2011, em Estórias pra boi dormir e marcado como , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. Muito bom… Curto contos de terros, principalmente baseados em Lovecraft…

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