Arquivo mensal: agosto 2011

O politicamente correto vai acabar com o Brasil!

É com esta frase inspirada na tal Saúva do início do século passado que começo este meu texto opinativo. As patrulhas do politicamente correto tem hoje na publicidade o mesmo efeito que as malfazejas formigas. Ficam roendo as boas ideias como se fossem folhas.
É verdade que as boas ideias não precisam ofender ninguém. É mais verdade ainda que as vezes uma polemicazinha serve para alguns objetivos de Marketing. Mas em alguns casos beira a paranoia! Sou completamente a favor da retirada de propagandas de cigarro dos horários onde jovens em formação das personalidades estejam assistindo. Porém a coisa está ganhando ares de extrema censura inversa.
O último exemplo é a campanha da Nissan os polêmicos, bem mais que os mamilos, “Pôneis Malditos”. A reclamação de a associação dos pôneis com malditos podem trazer algum dano ao publico infantil é no mínimo bizarro. Na minha humilde opinião isso é transferir a obrigação de criar os próprios filhos. As propagandas passam em canais no horário nobre e programas adultos. Cabendo aos país o uso sagrado do controle remoto. E na internet. Aí a coisa muda de figura. Por que talvez não haja tempo para ver o que os pimpolhos estão vendo na grande rede.

Se um caso desse gerou tanto falatório imagina um produto desse…

Imagina…

Anúncios

Thundercats, o retorno triunfal

Thunder… Thunder… Thundercats… hoooooo!

Ainda me lembro, como se fosse hoje, quando retornei pra casa, na manhã de um domingo
qualquer (perdido entre tantos outros domingos da década de 1980) e encontrei um bando
de primos e primas reunidos, de olhos colados na TV, pulando e torcendo por aquele
personagem de juba avermelhada e com cara de gato que aparecia na telinha.

Aquele foi meu primeiro contato com o desenho dos Thundercats, que fez parte da vida de
muita gente que cresceu vendo TV, assim como eu. E essa lembrança da turma de Lion,
Tygra, Panthro, Cheetara, Snarf e cia. me veio fulminante à memória depois que tive o
prazer de assistir aos primeiros dois episódios do remake da série, produzido pela Cartoon
Network e que foram ao ar nos States nessa última semana de julho.

Sem sombra de dúvida, em comparação aos outros remakes da década de 80 (G.I. Joe e
He-man, por exemplo), o desenho dos Gatos do Trovão ficou simplesmente perfeito. A
arte ficou limpa, sem muitos detalhes e sempre ágil. Alguns personagens principais foram
apresentados em versões mais jovens, outros em versões praticamente idênticas e outros
nem chegar chegaram (ou chegarão) a dar o ar da graça.

Apesar de ter assistido a uma pá de episódios, não me lembro 100% do enredo do desenho
clássico, mas posso dizer (pelo pouco que recordo) é que a trama é está muito mais
elaborada, com um contexto que cria relações muito mais coesas entre os personagens. E
apesar de ser produzido ainda tendo como foco o público infanto-juvenil, muito marmanjo
(como meu) que cresceu vendo Thundercats, vai ficar pra lá de fascinado e se lembrar com
muito saudosismo da infância.

E até aqui eu só falei, por alto, sobre a série. Só que se você é um daqueles que não se
importa com spoilers, é só marcar o texto abaixo por conta e risco e saber das grandes
mudanças da nova série dos Thundercats!

Primeiramente, Thundera não é mais um mundo e sim a cidade estado onde a civilização
dos gatos se desenvolveu em guerra a várias gerações contra os lagartos. Fato interessante
que não fica muito evidente, é que os gatos não são, nem de perto, governantes benévolos.
O rei Claudus (pais de Lion-o) é um regente mais pragmático, contando com a força da
espada para manter seu reinado. Falando em espada, os gatos não usam tecnologia, assim
como não acreditam que ela exista. Nesse sentido, eles se assemelham mais a sociedades
medievais da nossa realidade.

Em relação aos personagens, Lion é um jovem príncipe, que ainda não entende bem como
carregar o fardo da coroa. Novidades ficam por conta de Tygra, que na série é irmão de
Lion e de certa forma, inveja o irmão pela direito ao trono. Cheetara também aparece, mas
está bem mais jovem e faz parte da casta de clérigos de Thundera, assim como Jaga, que
aparece nos dois primeiros episódios. O general Panthro tem uma pequena participação,
mas sua presença ainda não é certa. Willykit e Willycat também aparecem, como dois
irmãos que vivem em Thundera, sobrevivendo aplicando pequenos golpes. E Snarf também
está lá, mas mais como um animal de estimação do que um personagem falante.

Sobre os inimigos, até o momento não citaram nada sobre os mutantes, somente aos
lagartos, mas como a série está só começando, novidades poderão aparecer por aí. Mum-ra
também dá as caras, aparecendo como o grande bicho papão dos Gatos do Trovão.

O palácio real dos gatos que aparece nesses dois episódios é a recriação da Toca dos Gatos,
do desenho clássico. A Espada Justiceira e a Garra Dourada (que é o símbolo real dos
Thundercats, como uma espécie de coroa), também estão presentes. Lance interessante
é que Mum-ra afirma que Olho de Thundera é uma gema que pertence a ele, o que faz
sentido o porquê d`ele querer tanto colocar as mãos (ou garras) nessa arma poderosa.

PS: Esse post foi originalmente postado por mim no www.almanake.net

PS: Apesar de alguns saudosistas extremistas odiarem mudanças, o novo desenho é bem melhor do que o antigo

A mágika de Unknow Armies

What will you risk to change the world?

Mas se você não tivesse a chance de mudar (direta ou indiretamente) apenas o mundo, mas o universo inteiro? Todo o cosmos? E se houvesse uma cultura suburbana, com crenças e costumes totalmente excêntricos, porém detendo o conhecimento para destruir e destituir a “existência” atual e recria-la à sua forma e semelhança, como se fosse uma espécie de deus?

Basicamente e bem resumidamente, essa é a premissa de Unknow Armies, um RPG da Atlas Games que, sinceramente, é um dos melhores que já li, tanto na temática, como também nas regras.

O livro apresenta o cenário, dividido em três níveis: street, global e cosmic. O interessante é que a campanha comece e avance nesse sentido, começando com os jogadores/personagens sabendo quase nada no que estão envolvidos (street) e aos poucos irem descobrindo a verdadeira realidade oculta atrás da realidade (global e cosmic).

No enredo, existe o Occult Underground, uma subcultura que vive entranhada e coexistindo na sociedade que conhecemos, mas que ao mesmo tempo possui sua própria concepção da existência. Nesse mundo à parte, existem duas figuras principais, os adeptos e os avatares.

No primeiro caso, por terem uma visão tão própria (e eu diria até mesmo deturpada) da realidade, são capazes de alterarem o mundo apenas com sua força de vontade, o que chamam de magick.

Detalhe: os adeptos utilizam de um tipo de foco ou caminho para conseguirem realizarem suas proezas mágikas: as escolas. Nesse quesito, o jogo começa a mostrar porque veio. Esqueça as descrições rotineiras e repetitivas de outros RPG`s com temáticas arcanas. Os bibliomancers, por exemplo, retiram seu poder de bibliotecas particulares: quanto mais raros os livros, mais poderoso costuma ser o mágiko. Ou os cliomancers, que retiram seus poderes de locais conhecidos, importantes ou mesmo históricos. Há ainda os dipsomancers, que realizam mágika somente quando estão bêbados ou os pornomancers, que em sua maioria integram o Sect of the Naked Goddes e adquirem poder praticando sexo ritualístico.

Do outro lado da moeda, há os avatares (por favor, nenhuma referência ao filme de Cameron). Aqui, as pessoas seguem um caminho tão a risca que personificam estereótipos difundidos na cresça humana a milhares e milhares de anos, como “A Mãe”, “O Guerreiro”, “O Executor”, “O Demagogo”, “O Mercador”, entre tantos outros. Seguindo cada um uma trilha específica, os avatares (conscientemente ou não) acabam adquirindo habilidades mágikas, que crescem a medida que esses indivíduos não abandonam suas trilhas.

E é justamente aí que a história fica melhor ainda. Além da existência como é conhecida, tanto pelos meros humanos quanto por aqueles que conhecem o Occult Underground, há a Statosphera, um reino onde os arquétipos reinam como deuses, fazendo parte do Invisible Clergy. O avatar mais poderoso de um determinado estereótipo ascende e se transforma em um godwalker, literalmente. E é dito que quando 333 avatares ascenderem, eles se transformaram em uma consciência superior, refazendo completamente a própria existência.

O grande lance é guerra oculta entre os avatares e os godwalkers, porque mesmo tendo poderes inimagináveis, é possível destituir um desses “deuses” e caso exista um avatar em todo o mundo mais poderoso do que os outros, ele poderá ocupar o lugar de seu antecessor.

Regras

Em Unknown Armies, as rolagens de dados se resumem em rolagens de porcentagem (dois d10, um para dezena e outro para unidade). O resultado é bem sucedido quando é menor ou igual a perícia ou estatística.

O interessante e também a diferença com outros jogos é que não há uma lista pré-definida de perícias, cabendo a cada jogador definir o que seu personagem sabe fazer. Além disso, a marcação da integridade física dos personagens fica na responsabilidade do mestre e não dos jogadores.

Vale lembrar que mesmo possuindo dons supremos, os adeptos, avatares, godwalkers e outras criaturas sobrenaturais que vivem no Occult Underground podem facilmente serem mortas com tiro certeiro de uma calibre .12 ou mesmo com uma manobra bem executada de posse de uma serra elétrica ou uma katana.

Concluindo…

Um jogaço! O contexto inovador, repleto de ganchos para boas interpretações, aliado a um sistema simples, no entanto bem abrangente, torna as sessões bem ágeis. O ponto fraco que a Atlas pecou foi não dar uma atenção maior à parte gráfica, mas nada que desmereça a obra. Se você é como eu e está sempre atrás de um RPG novo, Unknown Armies é a escolha certa!

PS: Esse deveria ser a segunda parte da resenha de Unkown Armies, mas como eu acabei atrasando (pra variar) achei melhor fazer uma resenha só, definitiva, já que nem todo mundo tem tempo, paciência ou saco mesmo para ficar procurando posts antigos

PS: Sim, eu acabo demorando um pouco pra postar, mas é o trabalho que não me dá tempo

PS: Ainda tentando montar um grupo pra jogar Unkown Armies

PS: A primeira resenha tá aqui