A mágika de Unknow Armies

What will you risk to change the world?

Mas se você não tivesse a chance de mudar (direta ou indiretamente) apenas o mundo, mas o universo inteiro? Todo o cosmos? E se houvesse uma cultura suburbana, com crenças e costumes totalmente excêntricos, porém detendo o conhecimento para destruir e destituir a “existência” atual e recria-la à sua forma e semelhança, como se fosse uma espécie de deus?

Basicamente e bem resumidamente, essa é a premissa de Unknow Armies, um RPG da Atlas Games que, sinceramente, é um dos melhores que já li, tanto na temática, como também nas regras.

O livro apresenta o cenário, dividido em três níveis: street, global e cosmic. O interessante é que a campanha comece e avance nesse sentido, começando com os jogadores/personagens sabendo quase nada no que estão envolvidos (street) e aos poucos irem descobrindo a verdadeira realidade oculta atrás da realidade (global e cosmic).

No enredo, existe o Occult Underground, uma subcultura que vive entranhada e coexistindo na sociedade que conhecemos, mas que ao mesmo tempo possui sua própria concepção da existência. Nesse mundo à parte, existem duas figuras principais, os adeptos e os avatares.

No primeiro caso, por terem uma visão tão própria (e eu diria até mesmo deturpada) da realidade, são capazes de alterarem o mundo apenas com sua força de vontade, o que chamam de magick.

Detalhe: os adeptos utilizam de um tipo de foco ou caminho para conseguirem realizarem suas proezas mágikas: as escolas. Nesse quesito, o jogo começa a mostrar porque veio. Esqueça as descrições rotineiras e repetitivas de outros RPG`s com temáticas arcanas. Os bibliomancers, por exemplo, retiram seu poder de bibliotecas particulares: quanto mais raros os livros, mais poderoso costuma ser o mágiko. Ou os cliomancers, que retiram seus poderes de locais conhecidos, importantes ou mesmo históricos. Há ainda os dipsomancers, que realizam mágika somente quando estão bêbados ou os pornomancers, que em sua maioria integram o Sect of the Naked Goddes e adquirem poder praticando sexo ritualístico.

Do outro lado da moeda, há os avatares (por favor, nenhuma referência ao filme de Cameron). Aqui, as pessoas seguem um caminho tão a risca que personificam estereótipos difundidos na cresça humana a milhares e milhares de anos, como “A Mãe”, “O Guerreiro”, “O Executor”, “O Demagogo”, “O Mercador”, entre tantos outros. Seguindo cada um uma trilha específica, os avatares (conscientemente ou não) acabam adquirindo habilidades mágikas, que crescem a medida que esses indivíduos não abandonam suas trilhas.

E é justamente aí que a história fica melhor ainda. Além da existência como é conhecida, tanto pelos meros humanos quanto por aqueles que conhecem o Occult Underground, há a Statosphera, um reino onde os arquétipos reinam como deuses, fazendo parte do Invisible Clergy. O avatar mais poderoso de um determinado estereótipo ascende e se transforma em um godwalker, literalmente. E é dito que quando 333 avatares ascenderem, eles se transformaram em uma consciência superior, refazendo completamente a própria existência.

O grande lance é guerra oculta entre os avatares e os godwalkers, porque mesmo tendo poderes inimagináveis, é possível destituir um desses “deuses” e caso exista um avatar em todo o mundo mais poderoso do que os outros, ele poderá ocupar o lugar de seu antecessor.

Regras

Em Unknown Armies, as rolagens de dados se resumem em rolagens de porcentagem (dois d10, um para dezena e outro para unidade). O resultado é bem sucedido quando é menor ou igual a perícia ou estatística.

O interessante e também a diferença com outros jogos é que não há uma lista pré-definida de perícias, cabendo a cada jogador definir o que seu personagem sabe fazer. Além disso, a marcação da integridade física dos personagens fica na responsabilidade do mestre e não dos jogadores.

Vale lembrar que mesmo possuindo dons supremos, os adeptos, avatares, godwalkers e outras criaturas sobrenaturais que vivem no Occult Underground podem facilmente serem mortas com tiro certeiro de uma calibre .12 ou mesmo com uma manobra bem executada de posse de uma serra elétrica ou uma katana.

Concluindo…

Um jogaço! O contexto inovador, repleto de ganchos para boas interpretações, aliado a um sistema simples, no entanto bem abrangente, torna as sessões bem ágeis. O ponto fraco que a Atlas pecou foi não dar uma atenção maior à parte gráfica, mas nada que desmereça a obra. Se você é como eu e está sempre atrás de um RPG novo, Unknown Armies é a escolha certa!

PS: Esse deveria ser a segunda parte da resenha de Unkown Armies, mas como eu acabei atrasando (pra variar) achei melhor fazer uma resenha só, definitiva, já que nem todo mundo tem tempo, paciência ou saco mesmo para ficar procurando posts antigos

PS: Sim, eu acabo demorando um pouco pra postar, mas é o trabalho que não me dá tempo

PS: Ainda tentando montar um grupo pra jogar Unkown Armies

PS: A primeira resenha tá aqui

Sobre Douglas Fernandes

Jornalista, professor, assessor, marido, pai e rpgista

Publicado em agosto 8, 2011, em RPG e marcado como , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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