Arquivo do autor:Douglas Fernandes

Red Mist: o vídeo perdido de Bob Esponja

Muita gente já deve ter visto ou ouvido falar de um vídeo e alguns comentários que rondam na net sobre um vídeo muito macabro relacionado ao personagem Bob Esponja, com o nome de Red Mist (Névoa Vermelha). Esse suposto episódio, que deveria ser o primeiro da quarta temporada, teria sido cancelado por conter imagens bizarras, cenas de violência e morte, além de ser acompanhado de uma história mais estranha ainda.

No geral, acho que esse tal vídeo “Red Mist” é mais uma das lendas urbanas que circulam por aí, como o crucifixo dentro dos bonecos do Fofão ou a história de que a Hello Kit seria criação de uma japonesa que teria feito um caso com o “coisa ruim”. No caso dos vídeos, eles são chamados de “creepypasta” e tem justamente a intenção de revelar supostos fatos sobrenaturais, como exorcismos, autópsias em seres alienígenas e aparições fantasmagóricas. Em canais, como o Youtube, basta digitar “creepy pasta” para ver um coleção desses vídeos; alguns ridículos e outros até bem feitos.

Bem, no caso específico do “Red Mist”, a história que se conta é que o responsável pelas cenas aterradoras seria um animador escocês que se encontra atualmente preso por ter matado várias pessoas, além de que pessoas teriam morrido ou sido tomadas por um sentimento suicida depois de assistir trechos dessa animação.

Encontrei o relato do vídeo no Mundo Tentacular e ainda que a história realmente não seja verdadeira, a descrição das cenas é arrepiante. Infelizmente não encontrei o vídeo original, como consta no relato, mas há outras versões que reproduzem bem o que seria “Red Mist”. Para quem jogou Silent Hill, as cenas fazem lembrar muito as tomadas bizarras do game.

Segue a descrição do vídeo (leia  por sua conta e risco). Encontrei uma versão do vídeo na net, mas não é o vídeo original. Essa “cópia” não é tão impactante, mas a descrição da suposta obra original poderia muito bem figurar como um bom conto de terror:

O Lado Negro de Bob Esponja

“Red Mist” (Névoa vermelha) é uma fita contendo um episódio inédito de Bob Esponja, criada por um animador escocês, agora preso, que queria apresentar a fita como o primeiro episódio da quarta temporada, apresentando a morte de Lula Molusco. Até agora houveram dois relatos contando a história a seguir, uma de um estagiário e a segunda do próprio editor do canal da Paramount que viu o vídeo. O texto a seguir é a versão do estagiário da Nicklodeon, Chaz Agnew, porém com o acréscimo de alguns trechos do segundo relato para melhor descrição do episódio.

Eu era um residente nos estúdios da Nickelodeon em 2005, por causa da minha graduação em animação. Eu não era pago, claro, a maioria dos residentes não são, mas tive algumas vantagens além do aprendizado. Para os adultos não é grande coisa, mas a maioria das crianças na época se matariam por isso, já que trabalhava com editores e animadores, eu conseguia ver os novos episódios dias antes de serem lançados.

Eles tinham recentemente feito o filme do Bob Esponja e com isso a criatividade da equipe teria ficado um pouco esgotada, o que atrasou o início da quarta temporada. Mas o verdadeiro motivo do atraso foi bem mais perturbador. Houve um problema com o primeiro episódio da quarta temporada que atrasou o desenvolvimento por vários meses.

Eu e dois outros estagiários estavamos na sala de edição, juntamente com os animadores e editores de som para o corte final. Nós recebemos uma cópia do que seria o episódio “Medo de Hambúrger de Siri” e nos juntamos em frente à tela para assistir. Os animadores geralmente colocavam títulos engraçados, numa espécie de piada interna entre nós, já que a animação ainda não estava finalizada, nada particularmente engraçado. Então quando lemos o título “O Suicídio do Lula Molusco” não pensamos em nada além de que seria uma piada mórbida. Um dos residentes até riu do título. A música tema tocava normalmente.

A história começou com o Lula Molusco se preparando para praticar com a clarineta em sua casa enquanto Bob Esponja e Patrick brincam do lado do fora. Lula Molusco coloca a boca na clarineta e só consegue tocar algumas notas antes de ser interrompido por alguém batendo em sua porta. Ele desce as escadas e abre a porta, encontrando um vendedor ambulante.

O vendedor, um peixe escocês gigante, pergunta se ele poderia ter um momento com Lula Molusco. Mas este diz que não está interessado e bate a porta na cara do vendedor, andando de volta para seu quarto. O vendedor bate à porta mais uma vez, e Lula Molusco abre a porta irritado. O vendedor, parecendo bem triste, diz à Lula Molusco que “a névoa vermelha está vindo” e vai embora, deixando um Lula Molusco confuso para trás. Ele volta para seu quarto e continua a praticar com a clarineta.

Depois de tocar algumas notas bem erradas, Bob Esponja e Patrick começam a rir do lado de fora, interrompendo Lula Molusco mais uma vez. Ele olha pela janela e grita com os dois, dizendo que ele precisa praticar para um concerto que teria. Bob Esponja e Patrick se desculpam com lágrimas nos olhos e vão para suas casas. Lula Molusco, incerto de si mesmo, volta a praticar com sua clarineta mais uma vez, agora sem ser interrompido.

A cena então vai se “apagando” em vermelho e permanece assim por doze segundos. Talvez por causa de um erro, a mesma cena repete mais uma vez, o que provavelmente deve ser comum em edições básicas de animação. Entretanto, dessa vez, os olhos dos personagens foram substituídos por novos, mais realísticos e com pupilas vermelhas. Não há mais áudio nessa cena, tirando alguns “cliques” ocasionais.

Depois da repetição da cena anterior, uma nova começa, com os mesmos olhos vermelhos nos personagens. Agora todos estão no teatro, onde Lula Molusco está tocando sua clarineta. Os quadros da animação “pulam” a cada quatro segundos, mas o som permanece sincronizado. Depois de uma apresentação ruim da música que ele mesmo intitulou “Red Mist”, Bob Esponja e Patrick são vistos na platéia vaiando Lula Molusco.

Neste ponto que as coisas começaram a ficar estranhas. Durante o show, alguns quadros se repetem, mas o som não (neste ponto é o som sincronizado com a animação então sim, não é comum), mas quando ele pára de tocar, o som termina como se o show nunca tivesse acontecido. Há um rápido murmúrio e o público começa a vaiá-lo. Não é vaiar o Lula Molusco que é incomum no show, mas você poderia muito bem sentir o desespero dele. Daí mostra Lula Molusco em full frame, que olha visivelmente com medo.

A cena muda para a multidão, com Bob Esponja no centro da tela, que também está vaiando. No entanto, essa não é a coisa mais estranha. O que é estranho é que todos tinham os olhos hiper realistas. Muito detalhado. Claro que não eram olhos de pessoas reais, mas algo um pouco mais real que CG. Alguns de nós nos olhamos durante a cena, obviamente confusos. A cena muda para o Lula Molusco, sentado na beira de sua cama, olhando muito desamparado. O ponto de vista de sua janela vigia é de um céu noturno por isso não é muito tempo após o concerto. A parte preocupante é que neste ponto não há som. Literalmente, sem som. Nem mesmo o feedback dos alto-falantes na sala. É como se os altofalantes fossem desligados, embora o seu estado lhes mostrou funcionando perfeitamente. Ele apenas ficou lá, piscando, neste silêncio por cerca de 30 segundos, então ele começou a soluçar baixinho.

Ele colocou as mãos (os tentáculos) sobre os olhos e chorou em silêncio por quase um minuto, ao mesmo tempo em que um som no fundo começa a crescer muito lentamente a partir do nada para quase inaudível. Soou como uma leve brisa por uma floresta. A tela começa muito lentamente a aumentar o zoom em seu rosto. Seu choro fica mais alto, mais cheio de mágoa e raiva. A tela começa com algumas distorções, como uma TV com sinal ruim e logo volta ao normal. O som fica mais alto e lentamente, mais grave, como se uma tempestade estivesse se formando em algum lugar.

A parte assustadora é o som e os soluços de Lula Molusco, parecia real, como se o som não viesse dos alto-falantes ou se os alto-falantes fossem apenas buracos e o som estivesse vindo do outro lado. Por baixo do som do vento e soluçar, muito fraco, ouvia-se algo que parecia rir. Após cerca de 30 segundos neste clima, a tela ficou borrada e se contorceu violentamente e algo brilhou sobre a tela, como se um único quadro fosse substituído. O animador principal pausou e voltou quadro a quadro. O que vimos era horrível. Era a foto de uma criança morta. Ele não tinha mais do que 6 anos. O rosto estava desfigurado e ensanguentado, um olho arrancado e o estômago aberto com as entranhas caíndo ao seu lado. Ele estava deitado em uma espécie de pavimento, provavelmente uma estrada. A parte mais assustadora era a sombra do fotógrafo. Não havia fita de isolamento, nem marcadores de evidência, e o ângulo era totalmente diferente daqueles de uma foto policial. Parecia que o fotógrafo era a pessoa responsável pela morte da criança.

Depois que essa foto aparece, a cena volta para Lula Molusco soluçando, muito mais alto do que antes, e o que parece ser sangue escorre de seus olhos ao invés de lágrimas. O riso, que lembra o riso do vendedor no início do episódio, pode ser ouvido ainda. O som de vento na floresta também pode ser ouvido em som alto, com o som de galhos sendo quebrados e de crianças gritando. Depois de vinte segundos, outro quadro aparece, agora com uma menina de mais ou menos oito anos morta, caída de barriga pra baixo em uma poça de sangue, aparentemente na mesma floresta da foto do menino. Suas costas estão abertas e suas entranhas empilhadas sobre ela. Novamente o corpo estava na rua, e a sombra do fotógrafo era visível, muito similar no tamanho e forma vistos na primeira foto. Eu me segurei para não vomitar, e outra residente, a única mulher da sala, saiu correndo.

O episódio continuou, Lula Molusco ficou em silêncio, assim como todo o som, como era quando começou essa cena. Ele colocou seus tentáculos para baixo e seus olhos estavam agora feito em hiper realismo como os outros estavam no começo deste episódio.

Eles estavam sangrando, vermelhos e pulsantes. Ele só olhou para a tela, como se estivesse assistindo ao telespectador. Após cerca de 10 segundos, ele começou a chorar, desta vez não cobrindo seus olhos. O som era penetrante e forte, aos poucos o som de seus soluços foi novamente misturado com gritos de crianças. O som do vento voltou, assim como a risada ao fundo, dessa vez a próxima foto que aparecera durou por cinco quadros.

O animador conseguiu parar a cena no quarto quadro. Dessa vez a foto era de um garoto, da mesma idade da primeira criança, mas dessa vez a cena era diferente: as entranhas estavam sendo puxadas para fora de um corte no estômago por uma mão grande.

O animador continuou. Era difícil de acreditar, mas a foto seguinte era a mesma, mas havia algo de diferente nela, algo que não conseguíamos perceber exatamente. O animador voltou para o primeiro quadro e os acelerou. Eu vomitei no chão e os editores de animação e som ficaram mortificados com o que viram. Os cinco quadros, quando acelerados juntos, pareciam quadros de um vídeo. Podíamos ver a mão lentamente erguer as tripas da criança, vimos os olhos dela focarem-se em seu assassino, nós até vimos, em dois frames, a criança piscar.

O diretor de edição de som nos mandou parar, ele tinha que ligar para o criador da série e mandá-lo ver aquilo. Mr. Hillenburg chegou depois de 15 minutos. Ele estava confuso com o porquê de ter sido chamado ali, o editor continuou o episódio.

Após aqueles quadros terem passado, toda a gritaria e todo som parara novamente. Lula Molusco estava apenas encarando o espectador, seu rosto estava na tela toda. A cena afastou-se e aquela voz profunda disse “FAÇA”. A câmera rapidamente se afasta para revelar que Lula Molusco está segurando uma arma. Lula Molusco ergue o cano da arma para sua boca e atira. Sangue espirra de sua cabeça e a tela corta para estática (o famoso “chiado”).

Os últimos cinco segundos do episódio mostrava seu corpo na cama, um olho pendurava-se para fora do que restava de sua cabeça, encarando o nada. Então o episódio acabou. Mr. Hillenburg obviamente ficou furioso com aquilo. Ele imediatamente quis saber o que diabos estava acontecendo. Muitas pessoas já haviam deixado a sala àquela altura, então apenas alguns de nós assistimos ao episódio novamente. Ver o episódio mais uma vez apenas colaborou para fixar mais ainda tudo na minha mente e me causar pesadelos terríveis. Me arrependo de ter ficado.

Como resultado deste incidente, três animadores (Barry O’Neill, Grant Kirkland Jr. e Alyssa Simpson) foram mandados para o hospital, um editor se aposentou (Fernando de la Peña) e um residente (Jackie McMullen) cometeu suicídio. A fita foi enviada para a polícia, que determinou que a animação havia sido criada por Andrew Skinner, um animador escocês. Ele foi acusado por nove assassinatos, incluindo o das duas crianças que aparecem na fita.

Uma cópia da fita foi feita (antes da polícia confiscar a original) por Chaz Agnew. Agnew fez várias tentativas de distribuir as cópias da fita de Skinner e espera poder lançá-las em site de leilão online em breve.

PS: Achei sinistro a descrição do tal vídeo. Li em casa, em voz alta, junto com minha esposa e sinceramente, não fiquei nada confortável

PS: Mais uma parceria entre o Kuase e Almanake.net

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O Bloco é nosso, tá ligado!?

Considerado pela crítica como o novo “Distrito 9” (District 9, 2009), o longa britânico “Attack the Block”, dirigido pelo estreante Joe Cornish, é um bom exemplo de como um enredo inteligente, uma boa produção e pouca grana podem render um filme acima da média.

Recebendo excelentes críticas em vários festivais e com uma nota significativa no IMDB (7,2), o filme começa mostrando a enfermeira Sam (Jodie Whittaker) voltando pra casa depois de seu plantão, quando é atacada por um gangue de rua, mas durante o roubo, alguma coisa cai do céu, atraindo a atenção do bando, que acaba sendo atacado por um alienígena.

Liderado por Moses (John Boyega), o grupo acaba matando a criatura e passa a arrastá-la pelo South East de Londres, como uma espécie de trófeu. Quando o grupo vê novas criaturas caindo dos céus, decidi caçá-las, mas tem uma surpresa ao descobrir que os novos recém chegados não são tão “indefesos” quanto a primeira criatura.

E as criaturas de “Attack the Block” são um detalhe à parte. As coisas meio “gorila-lobo wtf”, com suas fileiras de dentes fluorescentes, conseguem cumprir seu papel, criando cenas de perseguição intensas, sustos e muito sangue.

O grande charme de “Attack the Block” (previsto para estrear no Brasil em 7 de outubro) é o perfil dos heróis, fazendo lembrar até mesmo os mocinhos de “Um Drink no Inferno”de Rodrigues e Tarantino. No filme britânico, o grupo liderado por Moses usa drogas, assalta, comete roubos, usa um vocabulário chulo e está mais preocupado em tirar “o deles” da reta do que salvar o mundo de uma invasão.

Fica claro que Cornish não teve intenção de criar um filme cult, mas sim produzir um filme B, baseado no famoso clichê de uma invasão alienígena, mas recheado de atitudes anárquicas.

Entre os últimos filmes de extra-terrestres que vi recentemente, “Attack the Block”  não supera “Super 8” (Spielberg e J.J. Abrans) e nem “Distrito 9” (seja pelas interpretações, quanto também pelo enredo), mas fica empatado com outras produções (independentes ou não), como “Monsters” (boa história) e “Batalha de Los Angeles” (boas cenas de ação).

Interessante destacar que a ideia do filme surgiu depois que Cornish foi vítima de carjacking, quando o sujeito imaginou que se naquele momento acontecesse uma invasão alienígena, sentiria-se mais seguro se o bando de delinquente que o atacou passasse a defendê-lo.

O filme é produzido pela mesma equipe de “Shaun of The Dead” (no Brasil, “Todo mundo quase morto”).

site oficial do filme também é baKana! Se quiser saber mais, pode curtir a página do Facebook, aqui.

(com informações dos lengenders daddy e alcobor)

PS: a galera da periferia de Londres chama os policiais de FEDs (por causa dos filmes americanos);

PS: BLOCK é quarteirão nos EUA, mas em Londres refere-se a cada prédio que pertence a um bairro de habitação popular (geralmente)

PS: Esse post é uma parceria entre o Kuase e o Almanake (se ainda não acessou, tá esperando o que!?)

Thundercats, o retorno triunfal

Thunder… Thunder… Thundercats… hoooooo!

Ainda me lembro, como se fosse hoje, quando retornei pra casa, na manhã de um domingo
qualquer (perdido entre tantos outros domingos da década de 1980) e encontrei um bando
de primos e primas reunidos, de olhos colados na TV, pulando e torcendo por aquele
personagem de juba avermelhada e com cara de gato que aparecia na telinha.

Aquele foi meu primeiro contato com o desenho dos Thundercats, que fez parte da vida de
muita gente que cresceu vendo TV, assim como eu. E essa lembrança da turma de Lion,
Tygra, Panthro, Cheetara, Snarf e cia. me veio fulminante à memória depois que tive o
prazer de assistir aos primeiros dois episódios do remake da série, produzido pela Cartoon
Network e que foram ao ar nos States nessa última semana de julho.

Sem sombra de dúvida, em comparação aos outros remakes da década de 80 (G.I. Joe e
He-man, por exemplo), o desenho dos Gatos do Trovão ficou simplesmente perfeito. A
arte ficou limpa, sem muitos detalhes e sempre ágil. Alguns personagens principais foram
apresentados em versões mais jovens, outros em versões praticamente idênticas e outros
nem chegar chegaram (ou chegarão) a dar o ar da graça.

Apesar de ter assistido a uma pá de episódios, não me lembro 100% do enredo do desenho
clássico, mas posso dizer (pelo pouco que recordo) é que a trama é está muito mais
elaborada, com um contexto que cria relações muito mais coesas entre os personagens. E
apesar de ser produzido ainda tendo como foco o público infanto-juvenil, muito marmanjo
(como meu) que cresceu vendo Thundercats, vai ficar pra lá de fascinado e se lembrar com
muito saudosismo da infância.

E até aqui eu só falei, por alto, sobre a série. Só que se você é um daqueles que não se
importa com spoilers, é só marcar o texto abaixo por conta e risco e saber das grandes
mudanças da nova série dos Thundercats!

Primeiramente, Thundera não é mais um mundo e sim a cidade estado onde a civilização
dos gatos se desenvolveu em guerra a várias gerações contra os lagartos. Fato interessante
que não fica muito evidente, é que os gatos não são, nem de perto, governantes benévolos.
O rei Claudus (pais de Lion-o) é um regente mais pragmático, contando com a força da
espada para manter seu reinado. Falando em espada, os gatos não usam tecnologia, assim
como não acreditam que ela exista. Nesse sentido, eles se assemelham mais a sociedades
medievais da nossa realidade.

Em relação aos personagens, Lion é um jovem príncipe, que ainda não entende bem como
carregar o fardo da coroa. Novidades ficam por conta de Tygra, que na série é irmão de
Lion e de certa forma, inveja o irmão pela direito ao trono. Cheetara também aparece, mas
está bem mais jovem e faz parte da casta de clérigos de Thundera, assim como Jaga, que
aparece nos dois primeiros episódios. O general Panthro tem uma pequena participação,
mas sua presença ainda não é certa. Willykit e Willycat também aparecem, como dois
irmãos que vivem em Thundera, sobrevivendo aplicando pequenos golpes. E Snarf também
está lá, mas mais como um animal de estimação do que um personagem falante.

Sobre os inimigos, até o momento não citaram nada sobre os mutantes, somente aos
lagartos, mas como a série está só começando, novidades poderão aparecer por aí. Mum-ra
também dá as caras, aparecendo como o grande bicho papão dos Gatos do Trovão.

O palácio real dos gatos que aparece nesses dois episódios é a recriação da Toca dos Gatos,
do desenho clássico. A Espada Justiceira e a Garra Dourada (que é o símbolo real dos
Thundercats, como uma espécie de coroa), também estão presentes. Lance interessante
é que Mum-ra afirma que Olho de Thundera é uma gema que pertence a ele, o que faz
sentido o porquê d`ele querer tanto colocar as mãos (ou garras) nessa arma poderosa.

PS: Esse post foi originalmente postado por mim no www.almanake.net

PS: Apesar de alguns saudosistas extremistas odiarem mudanças, o novo desenho é bem melhor do que o antigo

A mágika de Unknow Armies

What will you risk to change the world?

Mas se você não tivesse a chance de mudar (direta ou indiretamente) apenas o mundo, mas o universo inteiro? Todo o cosmos? E se houvesse uma cultura suburbana, com crenças e costumes totalmente excêntricos, porém detendo o conhecimento para destruir e destituir a “existência” atual e recria-la à sua forma e semelhança, como se fosse uma espécie de deus?

Basicamente e bem resumidamente, essa é a premissa de Unknow Armies, um RPG da Atlas Games que, sinceramente, é um dos melhores que já li, tanto na temática, como também nas regras.

O livro apresenta o cenário, dividido em três níveis: street, global e cosmic. O interessante é que a campanha comece e avance nesse sentido, começando com os jogadores/personagens sabendo quase nada no que estão envolvidos (street) e aos poucos irem descobrindo a verdadeira realidade oculta atrás da realidade (global e cosmic).

No enredo, existe o Occult Underground, uma subcultura que vive entranhada e coexistindo na sociedade que conhecemos, mas que ao mesmo tempo possui sua própria concepção da existência. Nesse mundo à parte, existem duas figuras principais, os adeptos e os avatares.

No primeiro caso, por terem uma visão tão própria (e eu diria até mesmo deturpada) da realidade, são capazes de alterarem o mundo apenas com sua força de vontade, o que chamam de magick.

Detalhe: os adeptos utilizam de um tipo de foco ou caminho para conseguirem realizarem suas proezas mágikas: as escolas. Nesse quesito, o jogo começa a mostrar porque veio. Esqueça as descrições rotineiras e repetitivas de outros RPG`s com temáticas arcanas. Os bibliomancers, por exemplo, retiram seu poder de bibliotecas particulares: quanto mais raros os livros, mais poderoso costuma ser o mágiko. Ou os cliomancers, que retiram seus poderes de locais conhecidos, importantes ou mesmo históricos. Há ainda os dipsomancers, que realizam mágika somente quando estão bêbados ou os pornomancers, que em sua maioria integram o Sect of the Naked Goddes e adquirem poder praticando sexo ritualístico.

Do outro lado da moeda, há os avatares (por favor, nenhuma referência ao filme de Cameron). Aqui, as pessoas seguem um caminho tão a risca que personificam estereótipos difundidos na cresça humana a milhares e milhares de anos, como “A Mãe”, “O Guerreiro”, “O Executor”, “O Demagogo”, “O Mercador”, entre tantos outros. Seguindo cada um uma trilha específica, os avatares (conscientemente ou não) acabam adquirindo habilidades mágikas, que crescem a medida que esses indivíduos não abandonam suas trilhas.

E é justamente aí que a história fica melhor ainda. Além da existência como é conhecida, tanto pelos meros humanos quanto por aqueles que conhecem o Occult Underground, há a Statosphera, um reino onde os arquétipos reinam como deuses, fazendo parte do Invisible Clergy. O avatar mais poderoso de um determinado estereótipo ascende e se transforma em um godwalker, literalmente. E é dito que quando 333 avatares ascenderem, eles se transformaram em uma consciência superior, refazendo completamente a própria existência.

O grande lance é guerra oculta entre os avatares e os godwalkers, porque mesmo tendo poderes inimagináveis, é possível destituir um desses “deuses” e caso exista um avatar em todo o mundo mais poderoso do que os outros, ele poderá ocupar o lugar de seu antecessor.

Regras

Em Unknown Armies, as rolagens de dados se resumem em rolagens de porcentagem (dois d10, um para dezena e outro para unidade). O resultado é bem sucedido quando é menor ou igual a perícia ou estatística.

O interessante e também a diferença com outros jogos é que não há uma lista pré-definida de perícias, cabendo a cada jogador definir o que seu personagem sabe fazer. Além disso, a marcação da integridade física dos personagens fica na responsabilidade do mestre e não dos jogadores.

Vale lembrar que mesmo possuindo dons supremos, os adeptos, avatares, godwalkers e outras criaturas sobrenaturais que vivem no Occult Underground podem facilmente serem mortas com tiro certeiro de uma calibre .12 ou mesmo com uma manobra bem executada de posse de uma serra elétrica ou uma katana.

Concluindo…

Um jogaço! O contexto inovador, repleto de ganchos para boas interpretações, aliado a um sistema simples, no entanto bem abrangente, torna as sessões bem ágeis. O ponto fraco que a Atlas pecou foi não dar uma atenção maior à parte gráfica, mas nada que desmereça a obra. Se você é como eu e está sempre atrás de um RPG novo, Unknown Armies é a escolha certa!

PS: Esse deveria ser a segunda parte da resenha de Unkown Armies, mas como eu acabei atrasando (pra variar) achei melhor fazer uma resenha só, definitiva, já que nem todo mundo tem tempo, paciência ou saco mesmo para ficar procurando posts antigos

PS: Sim, eu acabo demorando um pouco pra postar, mas é o trabalho que não me dá tempo

PS: Ainda tentando montar um grupo pra jogar Unkown Armies

PS: A primeira resenha tá aqui

O occult underground de Unknown Armies (parte 1)

“One dream, one soul, one prize, one goal. One golden glance of what should be… It’s a kind of magick

Sim, o final é com k mesmo. Não foi nenhum erro de digitação, como milhões de pessoas acreditaram. As mesmas pessoas que acreditam que o mundo se resume àquilo que elas vem, tocam e conhecem. No máximo, vão aos seus cultos religiosos aos domingos (ou outros dias santos) para dar continuidade a uma crença que mal compreendem. Porém o que esses mortais desconhecem é que existe algo além do mundano. Algo que vive nas estranhas da sociedade há milênios: the magick!

Tendo sua primeira publicação em 1998 e a segunda em 2010, Unknown Armies (UA), da Atlas Games, é um dos melhores RPG`s que já li. Na verdade, acredito que seja um dos melhores livros que já li, tomando como base que um livro é uma ideia transposta no papel (ou em um arquivo .doc ou .pdf).

Basicamente, UA relata que há muito mais entre o céu e a terra do que julga nossa vã filosofia. Mas qualquer semelhança com os livros da White Wolf termina por aqui. A ambientação do jogo da Atlas relata uma existência onde pessoas (os adeptos)  conseguem mudar a realidade, porque possuem uma visão tão pessoal (ou tão distorcida) da realidade que conseguem fazer suas vontades se concretizarem. (tcharam! This is magick!).

Diferente de outros RPG`s relacionados com magia, a sociedade dos magos não criou uma subcultura paralela. Aqui, os autores pegaram praticamente tudo relacionado à ocultismo e teorias da conspiração, espalhadas pelo mundo e reuniram tudo em uma mistura que teria tudo para dar errado, mas como em um passe de mágica, se mostrou um tremendo sucesso.

O grande lance de UA é a existência do Occult Underground, onde os adeptos vivem e aprendem a lidar com suas habilidades mágicas, que podem facilmente deixa-los insano. Na visão mundana, aquele homem que carrega um carrinho de supermercado repleto de quinquilharias é somente mais um morador de rua. Para aqueles que descobrem o OU, ele pode se revelar como um Mechanomacer, que coleta peças para suas criações. Porém quanto mais poderoso ele quer se tornar, mais ele tem que abrir mão de suas lembranças.

Como em todo bom RPG, fazendo referência às regras, em UA as classes são as escolas de magia, que servem para definir mais as habilidades do seu personagem do que a sua forma de pensar em si. Por exemplo, dois bibliomacers, que conseguem acumular seu poder por meio de livros e bibliotecas particulares, podem (e terão) visões completamente diferentes do mundo.

Há também os pornomancers, que acreditam no poder do desejo, no misticismo do sexo tântrico e costumam integrar o Sect of the Naked Goddess. Existem os epideromancers, que se auto infligem ferimentos para acumular poder, se tornam algo mais quanto mais deixam de ser humanos. Os entropomancers acreditam que o chaos é o que rege a existência, enquanto os dipsomancers veem a iluminação quanto mais bêbados estão.

Essas “formas de magia” que o livro apresenta são apenas exemplos, deixando a cargo de jogadores e mestres criarem novas possibilidades.

Cherries

O legal de UA é que as regras são apresentadas na primeira página do livro. Sim. Somente uma página resume tudo. Obviamente no primeiro capítulo elas são melhores detalhadas, mas a mecânica é bem simples: pegue dois d10 (dados de 10 faces) e role, tendo um como unidade e outro como dezena. Normalmente você precisa de um resultado menor ou igual à sua habilidade (um stat ou uma skill) para ser bem sucedido, mas existem casos em que um resultado maior do que a habilidade ainda pode ter um resultado benéfico.

Além disso existem algumas possibilidades que podem alterar as regras, como o flip flop, que muda a rolagem de dados, alterando o resultado da dezena para unidade e vice versa. Há ainda os cherries, que são os resultados iguais na rolagem dos dados. Quando o resultado é um sucesso, ele costuma ser um sucesso extraordinário. Mas quando é uma falha…

Snap ou Louise?

Brainstorm. Esse é o resumo mais próximo do que é criar um personagem em UA. Escolha uma obsessão (geralmente algo à longo prazo ou mesmo inalcançável). Há também suas paixões, que se dividem em fear, rages e noble. Determine sua personalidade, que pode ser algo simples como “o tira mau” ou a “femme fatale”, até algo baseado na cultura pop, como professor Snape de Harry Potter ou Louise, de Thelma e Louise.

Por fim, receba pontos para distribuir entre seus stats (atributos), que são body, speed, mind, soul. O mais bacana vem agora: NÃO HÁ LISTA DE PERÍCIAS. Para quem joga RPG, isso pode parecer uma aberração, mas no universo de UA é um detalhe maravilhoso, dando liberdade ao jogador para criar a perícia que ele quiser e bem entender, caracterizando bem melhor o personagem, tornando-o único.

Outro detalhe bacana é que quem controla os pontos de vida dos personagens é o mestre e não os jogadores, o que em um combate (principalmente em UA, onde eles podem ser facilmente letais) pode fazer até mesmo aquele jogador que se acha fodão pensar duas vezes antes de avançar contra alguém.

1ª série…

Talvez o único ponto negativo de UA seja a parte gráfica, com desenhos fracos (as vezes até mesmo desnecessários), que em alguns pontos parecem desenhos infantis. Mas esse ponto não é nada que desmereça o livro, que se você não tem, deveria adquirir o quanto antes!

PS: Vale lembrar que o livro está em inglês e mesmo eu, com meu inglês “meia boca”, adorei o livro

PS 1: Comprei na www.moonshadowns.com.br Recomendo!

PS 2: Eu disse que os adeptos é que fazem mágica? Pois é… eu meio que menti. Isso porque eu não acabei de ler o livro e há ainda outros seres capazes de lançar magia, como os avatares, que se tornam seres mágicos ao personificarem determinados arquétipos, como “a mãe”, “o guerreiro” ou “o selvagem”. Mas para detalhar esses outros seres, só na segunda parte dessa resenha, daqui há 15 dias

PS 3: Sim, podem me excomungar, porque o atraso na postagem do Kuase foi culpa minha! Pretendia resenhar sobre X-Men: The First Class, mas por motivos superiores (leia-se aperto financeiro) não consegui ainda assistir ao filme

PS 4: Como esqueci dos PS`s no último post, fui obrigado a compensar nesse…

PS 5: Sem mais PS`s para o momento

A guerra literária na Guerra dos Tronos

Desde oito de maio (ou antes, para quem visitou uma “importadora”) a série televisa da HBO The Game of Thrones, ou A Guerra dos Tronos, baseada na série literária de George R. R. Martin tem sido o foco das críticas e resenhas nos sites especializados. A série, que se passa em um mundo fictício, relata a guerra de famílias nobres para conquistar o poder máximo de Westeros: O Trono de Ferro.

Como fui veementemente orientado para não publicar nenhum tipo de spoiler (mesmo porque as resenhas de outros sites já esgotaram ao máximo as críticas sobre a história), decidi deslanchar aqui uma análise voltada mais pela escrita de Martin e a comparação inevitável feita entre ele e outros autores da literatura fantástica de capa e espada, como Tolkien.

Pra começar, Martin tem um tato especial para lidar com um gama incontável de personagens. Quem começar a ler o primeiro volume pode até mesmo ficar perdido nos primeiros capítulos até conseguir conhecer melhor os personagens. Quando foi anunciada a adaptação, sinceramente, duvidei que pudesse render um bom resultado, mas pelo visto estava enganado.

O autor teve uma preocupação de pensar e retratar com detalhes a personalidade de seus personagens, desde o chefe da casa Stark, Eddard Stark, até um simples escudeiro, personagem secundário que nada mais faz além de cumprir suas obrigações. Esse nível de detalhamento transforma os livros em calhamaços que facilmente ultrapassam as 500 páginas (dizem que o terceiro volume terá mais de 1.200). Como um bom leitor de literatura fantástica no geral, a narrativa de Martin é muito semelhante ao estilo de King.

Em The Stand (A Dança da Morte), o autor de Carrie, Christine, O Iluminado e tantos outros sucessos, escreve uma introdução bem interessante para justificar o porquê da criação e do relato de pequenos detalhes da história que costumam ocupar grande parte dos livros. Nesse relato, que aqui resumo, King conta a história de João e Maria de duas formas. A primeira ele diz que um casal de crianças se perde na floresta, encontra uma bruxa malvada, que os aprisiona para se alimentar deles depois. Porém, os dois conseguem escapar, atiram a bruxa no forno e fogem de volta para os seus pais. Já na segunda versão, ele conta novamente a história, mas dessa vez inserindo os detalhes que tantos de nós conhecemos desde a infância, como as migalhas de pão, o osso no lugar do dedo e a casinha de doces.

Sendo um dos meus autores preferidos, defendo o ponto de vista de King de que uma boa história demanda detalhes e é isso o que Martin faz em sua Guerra dos Tronos. Tolkien bebe um pouco dessa fonte, mas no seu caso, os detalhes não estão necessariamente na história do Senhor dos Anéis em si, mas sim, no mundo todo da Terra Média, como a linguagem das criaturas, criação do mundo e heróis do passado.

Entretanto, para quem leu Tolkien bem antes do filme (assim como eu), a narrativa dele nem sempre é atrativa. Quero deixar claro aqui que de modo algum pretendo desvalorizar o trabalho do pai de Frodo e cia, mesmo porque ainda me lembro de que quando li, fiquei tão empolgado quanto na obra de Martin.

No caso de Tolkien, a fantasia é gritante, com anões, elfos, hobbits, orcs e outras criaturas caminhando pela Terra Média. A história segue bem os passos do herói clássico, como Luke Skywalker, que vivia em um lugar ermo e tranquilo e se vê obrigado a entrar em uma guerra que até então não acreditava ser sua. A temática é bem maquiavélica, com mau literalmente encarnado em Sauron e com alguns outros personagens confusos em relação do que fazer.

Já Martin parte de um pressuposto de não ter um personagem principal, mas uma leva gigantesca. No caso do livro, o autor utiliza uma ferramenta bem empregada por Stoker, em Drácula, escrevendo os capítulos sob a ótica de personagens diferentes. Essa iniciativa, de certa forma, coloca o leitor mais perto do personagem, porque ele tende a ver os desdobramentos dos acontecimentos sob a ótica do personagem, seja Bram Stark, em Winterfell, ou Tyron Lannister, em Porto Real, na Muralha e no Ninho da Águia.

Outra diferença gritante entre Tolkien e Martin é que em O Senhor dos Anéis, a história é escrita com mais pudor e nas crônicas de Westeros o sexo, envenenamento, traições e assassinatos são rotineiros. Pelo trono de ferro, as famílias poderosas dos Sete Reinos Livres não medem esforços para tomar aquilo que mais querem: poder.

Para quem joga RPG (onde o forte são as histórias de capa e espada), o Senhor dos Anéis está mais para um D&D, com monstros a serem detidos com armas mágicas e bolas de fogo e a ação de um grupo de heróis para destruir um grande mal. Já a Guerra dos Tronos tem mais proximidade com a temática dos livros da White Wolf, principalmente Vampiro, onde clãs sanguíneos ou ideológicos se unem para conquistar cargos de influência por meio de maquinações políticas, traições e mortes.

Já em relação à adaptação, GoT é extremamente bem feita. Não é a toa que as produções da HBO sejam tão bem cotadas no mercado. O que me assombrou foi como a produtora conseguiu enxugar ou cortar aqueles detalhes que citei acima sem estragar a história (o que dificilmente as produtoras de longas conseguem fazer com as obras de King).

A série está no quinto episódio (ou no sexto, se você estiver lendo esse artigo depois do dia 23 de maio). Até o corte da presença dos lobos gigantes dos Stark, tão presentes nos livros, não tirou o brilho da série. Os personagens ficaram bem caracterizados, com atenção especial para o ator que interpreta Tyron Lannister. Peter Dinklage é um anão na vida real (e já viveu o vilão Simon, do filme Vira-Lata), mas no papel do Duende, o filho deformado de Tywin Lannister, ficou impecável. Para mim, o personagem mais bacana de toda a obra, tanto nos livros quanto na adaptação.

Mas agora, já vestindo o meu terno de advogado do diabo, sou obrigado a dizer que apesar de A Guerra dos Tronos ter um apelo mais malicioso, com uma história repleta de tramas e reviravoltas, a obra de Tolkien não fica muito atrás. Para quem não sabe, O Senhor dos Anéis é somente parte do que das histórias da Terra Média e os contos que fazem parte de outros dois livros (Contos Inacabados e Silmarillion, já lançados no Brasil), contem mais ação, mais sangue e histórias mais densas, como a de Berem.

Já a obra de Martin, só posso comparar em pé de igualdade para outra obra de literatura fantástica: a primeira trilogia de Dragonlance. Criada e escrita por Margareth Weis e Tracy Hickman há mais de 20 anos, a série que conta as histórias se Tannis e seus companheiros une as criaturas fantásticas de Tolkien com a trama de Martin, aliada ainda a uma narrativa ágil, engraçada e atrativa.

Para quem curte séries televisivas, The Game of Thrones é uma excelente pedida, mas ainda recomendo o livro. A cena em quem Tyron encontra Catelyn Stark em uma taverna, ainda no primeiro livro, é fantástica (esse é o único spoiler que darei – hehehehe).

Ainda estou lendo o segundo livro e espero encerra-lo logo. A previsão é que cada temporada da série corresponda a um livro. O terceiro volume, A Tormenta de Espadas, está previsto para Setembro deste ano. A Feast for Crows, quarto volume, para o início de 2012. O quinto volume, A Dance with Dragons, ainda está sendo escrito e está previsto para Julho de 2016. The Winds of Winter e A Dream of Spring, sexto e sétimo volumes respectivamente, ainda não tem previsão de publicação.