Arquivo do autor:Lee-Moon

Quem conta um conto: Morte no divã

Eram 17:37. Hora de encerrar o expediente. Hora de encerrar a semana. Era uma sexta-feira.
Depois de um dia de mal estar, um braço formigando e uma pontada forte no peito a porta se abriu. Entrou sala a dentro um homem baixinho com veste finas brancas. Com olhar engraçado vindo de seus olhos redondos e semblante risonho fruto de sua cara redonda de bochechas grandes e uma careca que o deixava com a aparencia de um Monge Franciscano. Com uma voz pouco harmoniosa cheia de notas agudas disse:
– Dr. Frederico Oliveira, é chegada a hora.
Estuperfato com tamanha audácia daquela figura pitoresca respondeu:
– Como assim? Você não tem hora marcada e muito menos é meu paciente.
– Quem tem hora marcada aqui é você. Respondeu a figura que completou:
– Porque todos vocês se fazem de desentendidos na minha presença? Tenho que explicar milhões de vezes… se bem que já são mais de bilhões. Deixe eu me apresentar, Obitu Mors, muito prazer! Conhecido também como Morte, e venho levar sua alma comigo.
– Como sim a Morte?
– Isso, morte, ou se preferir óbito, falecimento, passamento ou ainda desencarne. Existem outras alegorias comuns para me definir o Anjo da Negro ou o meu favorito o famoso túnel com luminosidade branca ao fundo.
– Ah tá! Você a morte? – riu desdenhosamente – Mais parece o…
Antes que completasse a frase foi interrompido pelo estranho:
– Danny Devitto? É eu sei. Sempre a mesma coisa. Tento levar esse momento da melhor forma, mas parece que vocês gostam de sofrer. Que tal assim então? – neste momento o baixinho bateu com sua refinada bengala no chão e em um instante se transformou em uma figura de roupas longas e negras com as pontas puídas pelo tempo. A bengala deu lugar a uma grande foice com um cabo tortuoso de uma madeira muito escura pelo tempo. Olhos vermelhos pulsantes como fogo em uma face esquelética. Com uma voz tão grave quando o soar de uma trombeta perguntou:
– Satisfeito? Convencido do que lhe disse? Podemos fazem isso por bem ou dolorosamente. O senhor escolhe.
As forças faltaram nas pernas de Frederico. Caindo sentado sem reação na poltrona e murmurou olhando para o nada:
– Mas como? Assim? Sozinho? Sem me despedir? Isso não é justo!
– Depois conversamos sobre justiça. Voltando a sua forma inicial Obitu completou:
– Não é todo dia que faço a passagem de um psicólogo. Ainda mais um… espera um pouco enquanto consulto meus arquivos… – tirando do bolso um aparelho em formato de tablet – Ah! Achei. Doutor Especialista em traumas por morte. Ou seja, o seu trabalho é o meu trabalho! Ou o contrário, sei lá. A muito que espero por este momento! Ainda mais que minha última consulta foi quando um tal de Frode, quero dizer, Freud, mudou de dimensão. Podemos começar?
Neste momento o psicologo só reuniu forças para um acenar afirmativo de cabeça. Sem se fazer de rogado o inesperado paciente foi logo dizendo:
– Estou me sentindo pressionado! Quanto mais trabalho mais tenho o que fazer! Como esse povo tem morrido ultimamente! E o pior quase sempre tem alguém para reclamar e dizer que não fiz bem feito. Já reclamei com a Chefia que nestas condições não tem como.
– Mas quem seria essa tal “Chefia”?
– E quem seria? O Todo Poderoso, A Providência, O Divino. Sei lá qual o nome você prefere. Falando nisso vocês gostam de dar nomes as coisas.
– Deus? – perguntou o Dr.
– Se você quer chamá-lo assim que seja. Já pedi 2 estagiários. Se não chegarem até o fim desse século vou fazer greve! O problema que a classe é fraca. Afinal greve de um só nem é greve, é má vontade! Neste momento você deve estar se perguntando neste pensamento minúsculo de humano, como ele sozinho dá conta de fazer a passagem desse povo todo sem bagunçar o delicado equilíbrio do tempo? Eu gastei um bom tempo pensando nisso também, coisa de uns 8 séculos. Mas fim é simples. O engraçado é que precisou de um tal de Einstein morrer para me explicar isso! O tempo é relativo!
A Morte continuou seu discurso sobre como era difícil agradar a todos. O enfartado que comeu litros de gordura e não entende porque morreu. O jovem bêbado que capotou o carro acha injusto morrer tão novo. Mas no fundo o Dr. Frederico só pensava em um jeito de enganar a Morte e pouco ouvia o que ela dizia. Estava confiante, pois se achava muito esperto. Quanto mais a figura falava menos tinha esperança de conseguir.
– Então Dr. o que tem a me dizer? Perguntou ansioso.
– Acredito que não deva se cobrar tanto. Afinal você busca fazer o seu trabalho bem feito e não poderá mudar a todos. Ah! Quer saber? Não estava ouvindo bulhufas do que estava falando. Estava apenas pensando um jeito de lhe convencer a me deixar vivo. Mas eu desisto. Não tenho nenhum argumento que possa fazer isso.
O Dr. Frederico abaixou a cabeça entre os joelhos esperando pelos raios, trovões e foiçadas. Mas ouviu algo inesperado:
– Gostei da sinceridade. Faço uma aposta contigo. Te deixo em coma. Se 7 pessoas derramarem lágrimas sinceras pelo seu sofrimento eu lhe deixo viver até os 120 anos. Porém se isso não acontecer além de perder sua vaga no céu você descera direto para o inferno!
Então o analista sorriu! Afinal 7 pessoas sofrendo por sua causa deve ser fácil. Mas aos poucos foi fazendo as contas e percebeu que não seria tão fácil assim. Se lembrou que a muito desconfiava que sua mulher tinha um caso com o personal trainer e que talvez ficaria feliz em vè-lo morto. Lembrou-se também que sua filha adolescente disse várias vezes que o odiava e o queria morto. Como não falava com seu filho mais velho desde que o expulsou de casa era melhor não contar com ele. Não tinha pais vivos. Talvez a irmã cujo o marido vivia lhe pedindo dinheiro emprestado chorasse, não pela perda do irmão, mas pela perda da renda extra. Os amigos que sempre foram pouco se perderam a muito tempo, afinal ser um psicologo renomado tomava tempo, o que ele não tinha para perder em mesas de buteco. Chegando a essa lista diminuta não pensou duas vezes, encheu os pulmões com toda confiança e decretou:
– Melhor não arriscar! Afinal de contas depois trabalhar tão árduo era hora de um merecido descanso!

Ps.: Se você chegou até aqui merece um prêmio! Uma tirinha pra descontrair mais ainda!

O politicamente correto vai acabar com o Brasil!

É com esta frase inspirada na tal Saúva do início do século passado que começo este meu texto opinativo. As patrulhas do politicamente correto tem hoje na publicidade o mesmo efeito que as malfazejas formigas. Ficam roendo as boas ideias como se fossem folhas.
É verdade que as boas ideias não precisam ofender ninguém. É mais verdade ainda que as vezes uma polemicazinha serve para alguns objetivos de Marketing. Mas em alguns casos beira a paranoia! Sou completamente a favor da retirada de propagandas de cigarro dos horários onde jovens em formação das personalidades estejam assistindo. Porém a coisa está ganhando ares de extrema censura inversa.
O último exemplo é a campanha da Nissan os polêmicos, bem mais que os mamilos, “Pôneis Malditos”. A reclamação de a associação dos pôneis com malditos podem trazer algum dano ao publico infantil é no mínimo bizarro. Na minha humilde opinião isso é transferir a obrigação de criar os próprios filhos. As propagandas passam em canais no horário nobre e programas adultos. Cabendo aos país o uso sagrado do controle remoto. E na internet. Aí a coisa muda de figura. Por que talvez não haja tempo para ver o que os pimpolhos estão vendo na grande rede.

Se um caso desse gerou tanto falatório imagina um produto desse…

Imagina…

Quem conta um conto: A vizinha

Roberto era um cara comum, até demais, segundo sua esposa. Na casa dos seus 36 anos sentia que sua vida estava no meio. Afinal nunca pensou em viver muito mesmo. Acreditava que ser um centenário era mais um castigo do que uma proeza. Se bem que ser o meio era sua especialidade. Não era bom nem ruim em nada. Quando jovem não era o melhor nem o pior em notas. Nos esportes nunca foi último a ser escolhido nem muito menos o craque do time. E na vida amorosa então. Sempre a média. Nem feias, nem bonitas, nem muitas e nem poucas. Em resumo, nunca se destacou em nada. A não ser na mediocridade.

Pouco antes de completar 35 anos, Roberto teve uma crise de idade. Começou a se sentir velho. A sensação de estar caminhando para a metade final de sua vida se tornou real e muito pesada. Enquanto a maioria resolveria praticar esportes, comprar roupas novas e ler todos os livros sobre sexo tântrico ele não. Seria ridículo demais. O mais honrado neste momento era aceitar o rótulo de tiozinho.

Lucia, sua esposa, foi quem mais se zangou com essa decisão. Não que o antigo Roberto fosse a realização de seus sonhos. Longe disso, o achava conformado demais, pacato demais e o seu adjetivo favorito, previsível demais. A diferença de 6 anos do casal nunca tinha sido tão desconfortável como agora. Ao completar 30 anos e se ver uma balzaquiana, Lúcia queria mudanças. Queria engravidar, coisa que antes nunca quis. Dizia que ser enfermeira era cuidar dos filhos dos outros. Queria mudar para uma casa melhor, queria um carro melhor. Tudo o que Roberto abrira mão de querer agora que sentia a morte lentamente chegando.

Era um daqueles dias em que o verão faz jus ao que se propõe, onde os pingüins não estão em cima da geladeira, mas sim dentro do congelador para ver se conseguem esfriar a cabeça. Depois de muito suar Roberto decidiu tomar um banho para se refrescar. Quando desligou o chuveiro percebeu que tinha esquecido a toalha. Como estava sozinho em casa, afinal a esposa trabalhava no turno da noite, ficou pensando em como faria. Estou em minha casa, que mal há em sair daqui pelado? Pensou de repente. E em um ato de rebeldia respirou fundo e saiu como viera ao mundo. Ainda empolgado com tal façanha, afinal de contas se a esposa estivesse em casa ele não estaria fazendo aquilo, resolveu que assim ficaria. O calor que fazia foi determinante na decisão.

Ao ir para sala resolveu dar um daqueles piques que crianças arteiras dão dentro de casa, quando escorregou em um tapete colocado criminosamente em um corredor bem encerado pela diarista. Estatelou-se no chão com tudo o que tinha direito. Quando abriu os olhos acreditava que veria as portas do céu ou o pronto-socorro onde Lúcia estava de plantão. Ao finalmente se pôr de pé conferiu se algo estava quebrado ou sujo de sangue. Não agüentou e caiu na risada imaginando a própria cena. Riu mais ainda quando imaginou a cara da esposa ao chegar e encontrar o “Sr. Previsível da Silva” caído pelado no corredor do apartamento.

Caminhando e manquitolando conseguiu sentar no sofá. Ao olhar para a janela não acreditou no que via. Esfregou os olhos para ver se estava alucinando da pancada. Via uma moça no apartamento da frente dançando graciosamente. A ninfeta não passava dos seus 18 aninhos, de pele imaculadamente branca e um ardente cabelo vermelho. Chegava a jurar que tinha visto, mesmo com toda a miopia que seus olhos puderam lhe dar, um cristalino par de olhos azuis. Quando mais ela dançava mais chamava a sua atenção como os seus seios eram tão rijos e suculentos. Ao reparar bem naquela cintura e quadril agora entendia o significado da expressão “mulher violão”. Como podia nunca ter reparado naquele pitelzinho logo ali atravessando a rua? Resolveu chegar na janela mesmo estando nu. Ao chegar e ficar parado fitando fixamente a ninfeta se sentiu vivo novamente. De repente ela se virou e sem saber se escondia ou acenava ficou travado, não menos de repente seu celular tocou. Dando um susto tão grande que não sabia se a jovem o havia visto. Quando atendeu, Lúcia disse com uma voz tensa e sem afeto que esquecera a chave em casa e que não era para ele dormir pesado porque teria que abrir o portão para ela. Quando voltou a musa dançarina não estava mais lá e o apartamento estava todo apagado. Roberto não sabia o quanto aquilo havia mexido com ele, mas que estava diferente isto ele sabia.

No dia seguinte não conseguiu trabalhar. Ficou o dia todo desenhando a nifetinha. Sim! Roberto desenhava! Não era um excelente desenhista, e como era de se esperar era mediano. Fez rascunhos da moça em todos os papeis que via pela frente. Parou quando percebeu que sua baia estava cheia daqueles papeizinhos amarelo de recados com ruivinhas pregados por todos os lados. Ao ir embora resolveu passar no shopping e comprar um binóculo. Ao invés disso saiu com uma luneta. Quando chegou em casa é que pensou em como explicar isso para a esposa. Reconhecidos por todos como um pão duro incorrigível, como podia comprar um trambolho daqueles. Se descobriu um mentiroso de mão cheia quando disse para a esposa que resolvera que passariam mais tempo na roça de seu pai para encomendar o filho que ela tanto queria.

Na primeira noite que ficou sozinho em casa a misteriosa não apareceu. Nos dias seguintes Lúcia teve folga do trabalho. Como havia prometido o herdeiro para encobrir a luneta teve que comparecer durante toda noite, mesmo que seu pensamento estivesse na vizinha. Quando começava a pensar naquele corpo se animava como nunca antes. Lúcia ficou surpresa, mas não quis dizer nada por que independente do que tenha sido para ela estava ótimo. Procurou jeitos de perguntar sobre o prédio da frente sem levantar suspeita. Obteve como resposta apenas que a esposa trabalhava muito e não tinha tempo para saber da vida alheia.

A ansiedade em ver a vizinha novamente o corroia as idéias. Afinal depois de vários dias com os olhos fixos para a janela e nada dela aparecer já pensava em vender a luneta e estava convencido que aquilo provavelmente era uma alucinação da queda. Quando resolveu dar mais uma olhadinha para o apartamento da frente mal pode acreditar no que via. Todas as janelas estavam abertas e acesas. Achou estranho mas com o calor que estava fazendo e um possível medo de escuro achou razoável. Lá estava ela. Deitada confortavelmente de bruços em um sofá balançando os pezinhos enquanto lia um livro de capa escarlate. Mesmo se esforçando não conseguiu ver o título. Preferiu acompanhar o desenho de cada curva daquele corpo. Do narizinho empinadinho até os pezinhos delicados balançando suavemente. Quando ela limpou uma lágrima escorrendo pela bochecha Roberto sentiu uma palpitação que quase lhe tirou o fôlego. Venceu o impulso de sair correndo e ir até lá quando ela fechou o livro e se levantou. Caminhando vagarosamente ao quarto onde começou a tirar a pouca roupa que vestia. Deu três tapinhas na luneta como que agradecendo cada centavo que gastara naquilo. Parou de respirar quando a vizinha ficou apenas de calcinha de algodão na frente do espelho dando tapinhas na barriga para ver se estava tudo no lugar. E como estava! Acreditou ainda mais em Deus quando ela se virou para conferir se seu bumbum estava nos conformes. Só se lembrou de soltar o ar e puxa-lo de volta quando ela pegou a toalha e foi para o banheiro.

Começou a andar pela sala como um leão da savana trancado em uma pequena jaula de um circo menor ainda. Queria pensar em um motivo para ir até lá. Estava decidido. Chegou na janela para contar os andares mas o apartamento estava totalmente apagado. Nem teve tempo de pensar em um porque, Lúcia acabara de chegar do trabalho. Nem perguntou o porquê ela chegou mais cedo. Estava zangado demais com a interrupção para falar alguma coisa sem levantar suspeita.

E por várias noites o mesmo ritual acontecia. A vizinha aparecia, Roberto ficava completamente enlouquecido e quando resolvera ir até lá algo o impedia. Tornou-se agressivo e seu relacionamento com o mundo a sua volta ficava cada vez pior. Seu rendimento no trabalho que nunca foi bom se tornou nulo. Numa discussão mandou o chefe às favas e nunca mais voltou. Ao invés de contar à esposa o que havia acontecido, saía religiosamente no mesmo horário para o trabalho mas ficava na porta do prédio da frente esperando a vizinha sair ou chegar. E por dias isso ocorreu.

Em um desses dias de tocaia não se agüentou e adentrou no tal prédio da frente, rumo ao 4º andar. Quando chegou diante da porta fraquejou, mas como já tinha chegado até ali não retornaria. Mal acabou de tocar a campainha e o seu anjo proibido de cabelos vermelhos abriu a porta. Com o sorriso de canto de boca mais safado que este mundo já viu pronunciou palavras que foram música para Roberto: “Porque demorou tanto? Pensei que nunca viria.” A enlaçou pela cintura e vagarosamente para aproveitar aquele momento foi aproximando para tascar um beijo naquela boca suculenta quando sentiu um choque violento por seu corpo. Abriu os olhos e viu de relance uma confusão de imagens, e novamente a vizinha. Quando tentava entender o que havia ocorrido um novo choque tomou-lhe a razão. Abriu de uma vez os olhos e entendeu onde estava. Entubado em um leito de CTI com toda uma equipe médica ao seu redor e um médico com um reanimador estralando nas mãos. Uma lágrima escorreu de seu olho, todos acharam que era felicidade por estar vivo, mas na verdade era o desespero por voltar para sua merda de vida.

Depois de alguns dias de observação, muitas visitas e várias explicações de que havia caído no tapete do corredor e sido encontrado pelado, desmaiado e sobrevivido por milagre voltou para casa. Enquanto todos achavam que o silêncio de Roberto era efeito do acidente ele sabia que desejava realmente ter morrido. Ao chegar em casa olhou primeiro para o prédio da frente. Reparou que havia um caminhão de mudança trazendo uma nova família para aquele prédio. Enquanto Lúcia pagava o táxi, de pé no passeio reparou que as janelas do apartamento do 4º andar estavam abertas. Olhando de volta para o caminhão viu sair dele uma ninfetinha de pele imaculadamente branca e um ardente cabelo vermelho. Após a tradicional palpitação viu que ela, com o sorriso de canto de boca mais safado que este mundo já viu, piscar para ele. E sim, ela tinha olhos azuis.

Quem conta um conto: Nascida a contragosto

“O mundo a acolheu por pura caridade.” Esta seria a melhor frase para a lápide dela. A mãe passou por 9 meses de muito arrependimento e constantemente pensando em aborto. Talvez não tenha tido tanta força como gostaria. Perdera a coragem quando a pequena sobrevivera a segunda tentativa, onde quase que ela mesma que perde a vida. Tentar a terceira ficou meio arriscado. O pai fugiu de casa para não arcar com a responsabilidade. Afinal estava mordido pela pior das dores, a “Dor de Corno”. Mesmo que não podendo comprovar a traição tomou rumo ignorado. Provavelmente nem precisava, afinal as trofas e galhofas por onde passava já lhe tiravam o juízo. Como matar não era de seu feitio foi dar com a vida em outros cantos.

Quando finalmente veio ao mundo o irmão ainda muleque a culpava pela ausência de seu “pai-herói”. Uma espécie de “Complexo de Édipo” as avessas. O menino era mais identificado com o pai do que com a mãe. Beliscões, solavancos e xingamentos estavam mais presentes do que papinha e roupinhas de tricot. Talvez tenha sido o início de uma longa vida de crimes e de cadeias do pequeno malfazejo.

Mesmo com todo veneno e terreno inóspito ela crescia com a força de uma erva daninha em meio a pedregulhos. Mas nem de longe tinha tal aparência. Estava mais para uma pequena roseirinha de pote. Como era bonitinha a diabinha! Olhinhos grandes e sinceramente inocentes. Pois somente assim para não ver como realmente era sua vinda a este mundo.

Enquanto o tempo ía passando foi desenvolvendo uma personalidade forte, de bastante energia e muito atraente. A todos remexia com seu jeito de falar fácil. De voz forte vinda de um corpo pequeno, delicado e formoso. Era impossível ficar impassível diante dela. Nos homens a ausência do pai despertava uma vontade de a colocar no colo. Na maioria no sentido literal e com outras conotações mais carnais e alguns poucos com um sentimento pueril. E isto que as mulheres em geral não perdoavam. A quase totalidade das descontroladas a via como um mal a médio e longo prazo! Capaz de enfeitiçar o seu já entediado e safado marido. E quando isso acontece a alma feminina é implacável. No amor, na guerra e na fofoca não existe honra, apenas um objetivo a ser conquistado. E nesse caso fazer da vida da pequena um inferno era questão de tempo.

Em cada busca pelo amor verdadeiro que foi perceber o quanto o destino não a queria bem. E pelo tanto que acreditou e foi enganada por galantes apaixonados percebeu tardiamente que o ódio das fiandeiras das tramas do destino por ela era irremediavelmente grande. Quando as sucessivas decepções se tornaram pesadas demais resolveu que essas coisas de amor não era mais para ela. E pior. Começou a sentir uma raiva incontida de quem estava bem nas coisas do coração a sua volta. Resolveu que iria ser aquilo que todos já diziam. Como já tinha a fama então deitaria realmente na cama. Casados, noivos ou simplesmente namorados, o que importava é ter compromisso.

E assim foi. Até que a “má gramática da vida” começou a escrever torto em linhas ainda mais tortas. Quanto mais corria do amor, mais despertava paixões. Homens lhe entregavam os corações da mesma forma ingênua e dedicada que fizera um dia. Porém se mantia firme em seu exílio. Porém em um dia casual, após uma longa conversa sobre coisas de amor com um daqueles que poderia ser o homem de sua vida sentiu um impulso incontrolável. Queria dizer algo não para aquele homem em sua frente, mas sim para algo muito maior. Após outra jura sincera de amor o pegou pela face, fitando-lhe diretamente nos olhos e disse:

– A muito me retirei das coisas do amor para não me retirar da vida. Esta vitória você não terá. Demorei para perceber que não me queria por aqui, que dirá me queria feliz. Continuarei levando a vida que me foi permitida construir mesmo com todas as dificuldades.

Neste momento os olhos do rapaz brilharam diferente. Uma gota que caía de uma calha parou, ficando suspensa no ar. O tempo tinha parado. Foi a vez dela ter o rosto colhido em mãos. E a voz mais seca que então tinha ouvido ressoou por toda a sala:

– Você era a mais doce das criaturas. Umas das mais dotadas de bondade. Foi colocada em meio a podridão para saber quanto tempo demoraria para corromper-se. Em uma aposta sempre há um vencedor. Eu venci.

Enquanto ainda esfregava os olhos viu um vulto saindo pela porta. Sem saber se havia sonhado correu para ver se o alcançava. Mas não havia ninguém no corredor. Não sabia o que tinha acontecido, mas sabia que sua vida enfim mudaria…

ps.: Neste momento você de estar se perguntando mas qual é o nome dela? Acho melhor não dizer. Talvez você a conheça, talvez você a tenha visto por aí e talvez você tenha ajudado a corrompe-la. Talvez ela exista, talvez não. Talvez…

Isso é publicidade rapá! (parte 1)

Depois de muito procurar algo para escrever por aqui, após tão brilhantes posts, resolvi jogar simples. Vou falar daquilo que para mim é natural. Publicidade e propaganda!

Vou postando aqui trabalhos que me fazer ver que decidi pela profissão certa. Mesmo que isso não signifique ficar rico!

Sem mais delongas… É hora do pau! (Isso mesmo, a lá Coisa do Quarteto!)

Para começar temos 2 campanhas que fazem parte das apostas da Agência Leo Burnett para o Festival de Cannes. Todos os anos eles apresentam uma seleção que provavelmente deve ser resultado do bolão que eles fazem nos escritórios mundo a fora para o tradicional festival. A análise que eles fazem é da campanha como um todo e não apenas focado nas peças.

A primeira é um vídeo que mesmo em inglês qualquer um pode perceber o que foi feito. Traz a campanha “República Popular do Corinthians” feita pela F/Nazca Saatchi & Saatchi para a Nike. Independente de paixão clubística essa campanha foi Duca! Arrepiei mesmo. O galo da propaganda cantou alto nesta campanha.


Nike “Republica Popular do Corinthians” – F/Nazca Saatchi & Saatchi, São Paulo, Brasil

A segunda é a campanha “Carinho de Verdade” com a ação “The World’s Biggest Hug” feita pela Monumenta de Brasília. Não vou falar nada. O vídeo é autoexplicativo.


Carinho de Verdade “The World’s Biggest Hug” – Monumenta, Brasília, Brasil

PP na veia é sangue nos zóio! Empolguei. Sorry…

Ps.1: Até que enfim escrevi!
Ps.2: Ainda vou fazer uma assim para o meu Galo.
Ps.3: Os próximos assuntos já estão no forno e terão downloads de HQs, dicas de filmes que ando vendo online e o que ando estudando sobre animações em 3D. Peço perdão, mas a galera da internet discada e conexão que sifu!

Motor de fusca… ops… busca (parte 2)

Salve! Salve! Kuasenautas de plantão! Estamos ressucitando uma idéia dos promórdios do blog. Faremos a “Lista Top 5 – Kuase lá” com as melhores peripécias dos nossos visitantes! As mais inusitadas buscas que chegaram até nós. Em paralelo divulgaremos o ganhador do Troféu 5×1 da semana. Sim! Pessoas chegam até este casto blog com intuitos sacanas!

Sem mais delongas vamos a Lista Top 5 – Kuase lá:

5º Lugar: escudo do flamengo com o blanka

Não encontramos o Blanka. Mas será que serve esse outro monstrengo aqui? Medo...

4º lugar: http://www.jogar hulk vs thor.com .br – Bem se vê que sabe tudo de internet.

Será que era isso que ele estava procurando?

3º lugar: teking of faiter soltando especial – Depois de muito pensar entendi o que o infeliz procurava. Atenção no faiter.

Isso eu tenho certeza que ele não estava procurando! Qualquer Cosplay é melhor do que o filme...

2º lugar: quero ver super mem vs ruck – Se for o que eu estou pensando que ele escreveu todos nós queremos…

Achou petróleo!

1º lugar: tam vs huik – Juro que fiquei imaginando os aviões sendo arremessados pelo Huik. Cada um tem o brinquedo que merece. Meus aviões eram de papel!

Huik emaIga!

E para fechar com chave de ouro o Troféu 5×1

megan fox transformers 2 moto – Mesmo tendo gente procurando pornô da Chun-Li, modelos gostosas e negros pelados essa imagem não tem melhor no MUNDO!

Isso que é bonito!

O meu Bayern era o terror!

Se hoje você monta times no Winning Eleven e não sabe onde isso começou, prazer, isto é o Elifoot!

Enquanto o Google engatinhava procurar o Serial era um sofrimento!

Em tempos de computadores prosaicos e jogos muito caros uma invenção de um português chamado André Elias reinou no Brasil. A versão “Elifoot 98”, estava presente nos computadores de 11 de cada 10 nerds que hoje tem por volta dos 25 anos.

É o estilo de jogo chamado de “Manager”. Que ganhou versões em vários outros esportes. Montar times, negociar salários, comprar e vender jogadores e ainda construir estádios.

A coisa saiu do MS-DOS, considerado por muitos como um dos primeiros jogos para PC. Ainda em meados de 1987, bem antes do Windows pensar em nascer.

Sabe o mouse? Esquece!

Foi evoluindo ganhando a cada ano uma nova versão. Mas o sucesso foi na direção inversa. Com o aprimoramento e a democratização dos equipamentos de informática, jogos com mais recursos foram tomando o espaço do então joguinho de fundo verde. Sem falar que as novas versões perderam o charme dos antigos e nem de longe acompanharam os sucessores.

Esta é a cara do Elifoot 2010. Adeus fundo verde!

Mesmo assim fica a dica. Amigo Nerd que estava em atividade no final do século passado tire a poeira daquele disquete onde você tem 3 back-ups diferentes daquele seu time fodástico e bora jogar aquela bola!

Caso seu PC ou note não tenha disquete, o que é bem provável, clique abaixo e baixe o Elifoot 98. Bom jogo!

Ou se você quiser o Elifoot 2011 tem também! Baixe aqui no link abaixo:

Para não ficar delongando demais vou falar dos outros Managers de futebol que surgiram nos próximos posts! Não perca!

Eita! 04 de Maio de 2011, data histórica!

Saudações! No dia 04 de Maio de 2011 este projeto que começou besta e sem pretenções alcançou a marca de 100.000 visitas. É verdade que demoramos 3 anos e 3 meses para isso, o que muitos podem parecer pouca coisa. Mas, para nós não é! E aproveitamos o marco para presentear você!

Selo comemorativo das 100.000 visitas!

Aí você se pergunta: “UEBA! O que vou ganhar?” Você acaba de ganhar totalmente “de grátis” uma cara nova para o seu blog favorito! E não é só isso! Você vai voltar a ter atualizações diárias, no máximo semanais (assim espero!). Quase tudo dessa popesfera que virou nosso planetinha. A mesma pegada com muito cinema, lívros, HQ e é claro muito video game!

Isso porque a meta agora é atingir 100.000 visitas em 1 ano! Contamos com vocês!

Não perca!

P.S. Mesmo sabendo que ninguém vai ler isso, que não temos leitores fixo e que ninguém vai procurar nada disso no google resolvemos escrever esse post.