Arquivo da categoria: Estórias pra boi dormir

Contos, historias, estorias, poesia(se alguem tiver um momento… sei la… emotivo…) enfim nosso proprio material escrito

Quem conta um conto: Morte no divã

Eram 17:37. Hora de encerrar o expediente. Hora de encerrar a semana. Era uma sexta-feira.
Depois de um dia de mal estar, um braço formigando e uma pontada forte no peito a porta se abriu. Entrou sala a dentro um homem baixinho com veste finas brancas. Com olhar engraçado vindo de seus olhos redondos e semblante risonho fruto de sua cara redonda de bochechas grandes e uma careca que o deixava com a aparencia de um Monge Franciscano. Com uma voz pouco harmoniosa cheia de notas agudas disse:
– Dr. Frederico Oliveira, é chegada a hora.
Estuperfato com tamanha audácia daquela figura pitoresca respondeu:
– Como assim? Você não tem hora marcada e muito menos é meu paciente.
– Quem tem hora marcada aqui é você. Respondeu a figura que completou:
– Porque todos vocês se fazem de desentendidos na minha presença? Tenho que explicar milhões de vezes… se bem que já são mais de bilhões. Deixe eu me apresentar, Obitu Mors, muito prazer! Conhecido também como Morte, e venho levar sua alma comigo.
– Como sim a Morte?
– Isso, morte, ou se preferir óbito, falecimento, passamento ou ainda desencarne. Existem outras alegorias comuns para me definir o Anjo da Negro ou o meu favorito o famoso túnel com luminosidade branca ao fundo.
– Ah tá! Você a morte? – riu desdenhosamente – Mais parece o…
Antes que completasse a frase foi interrompido pelo estranho:
– Danny Devitto? É eu sei. Sempre a mesma coisa. Tento levar esse momento da melhor forma, mas parece que vocês gostam de sofrer. Que tal assim então? – neste momento o baixinho bateu com sua refinada bengala no chão e em um instante se transformou em uma figura de roupas longas e negras com as pontas puídas pelo tempo. A bengala deu lugar a uma grande foice com um cabo tortuoso de uma madeira muito escura pelo tempo. Olhos vermelhos pulsantes como fogo em uma face esquelética. Com uma voz tão grave quando o soar de uma trombeta perguntou:
– Satisfeito? Convencido do que lhe disse? Podemos fazem isso por bem ou dolorosamente. O senhor escolhe.
As forças faltaram nas pernas de Frederico. Caindo sentado sem reação na poltrona e murmurou olhando para o nada:
– Mas como? Assim? Sozinho? Sem me despedir? Isso não é justo!
– Depois conversamos sobre justiça. Voltando a sua forma inicial Obitu completou:
– Não é todo dia que faço a passagem de um psicólogo. Ainda mais um… espera um pouco enquanto consulto meus arquivos… – tirando do bolso um aparelho em formato de tablet – Ah! Achei. Doutor Especialista em traumas por morte. Ou seja, o seu trabalho é o meu trabalho! Ou o contrário, sei lá. A muito que espero por este momento! Ainda mais que minha última consulta foi quando um tal de Frode, quero dizer, Freud, mudou de dimensão. Podemos começar?
Neste momento o psicologo só reuniu forças para um acenar afirmativo de cabeça. Sem se fazer de rogado o inesperado paciente foi logo dizendo:
– Estou me sentindo pressionado! Quanto mais trabalho mais tenho o que fazer! Como esse povo tem morrido ultimamente! E o pior quase sempre tem alguém para reclamar e dizer que não fiz bem feito. Já reclamei com a Chefia que nestas condições não tem como.
– Mas quem seria essa tal “Chefia”?
– E quem seria? O Todo Poderoso, A Providência, O Divino. Sei lá qual o nome você prefere. Falando nisso vocês gostam de dar nomes as coisas.
– Deus? – perguntou o Dr.
– Se você quer chamá-lo assim que seja. Já pedi 2 estagiários. Se não chegarem até o fim desse século vou fazer greve! O problema que a classe é fraca. Afinal greve de um só nem é greve, é má vontade! Neste momento você deve estar se perguntando neste pensamento minúsculo de humano, como ele sozinho dá conta de fazer a passagem desse povo todo sem bagunçar o delicado equilíbrio do tempo? Eu gastei um bom tempo pensando nisso também, coisa de uns 8 séculos. Mas fim é simples. O engraçado é que precisou de um tal de Einstein morrer para me explicar isso! O tempo é relativo!
A Morte continuou seu discurso sobre como era difícil agradar a todos. O enfartado que comeu litros de gordura e não entende porque morreu. O jovem bêbado que capotou o carro acha injusto morrer tão novo. Mas no fundo o Dr. Frederico só pensava em um jeito de enganar a Morte e pouco ouvia o que ela dizia. Estava confiante, pois se achava muito esperto. Quanto mais a figura falava menos tinha esperança de conseguir.
– Então Dr. o que tem a me dizer? Perguntou ansioso.
– Acredito que não deva se cobrar tanto. Afinal você busca fazer o seu trabalho bem feito e não poderá mudar a todos. Ah! Quer saber? Não estava ouvindo bulhufas do que estava falando. Estava apenas pensando um jeito de lhe convencer a me deixar vivo. Mas eu desisto. Não tenho nenhum argumento que possa fazer isso.
O Dr. Frederico abaixou a cabeça entre os joelhos esperando pelos raios, trovões e foiçadas. Mas ouviu algo inesperado:
– Gostei da sinceridade. Faço uma aposta contigo. Te deixo em coma. Se 7 pessoas derramarem lágrimas sinceras pelo seu sofrimento eu lhe deixo viver até os 120 anos. Porém se isso não acontecer além de perder sua vaga no céu você descera direto para o inferno!
Então o analista sorriu! Afinal 7 pessoas sofrendo por sua causa deve ser fácil. Mas aos poucos foi fazendo as contas e percebeu que não seria tão fácil assim. Se lembrou que a muito desconfiava que sua mulher tinha um caso com o personal trainer e que talvez ficaria feliz em vè-lo morto. Lembrou-se também que sua filha adolescente disse várias vezes que o odiava e o queria morto. Como não falava com seu filho mais velho desde que o expulsou de casa era melhor não contar com ele. Não tinha pais vivos. Talvez a irmã cujo o marido vivia lhe pedindo dinheiro emprestado chorasse, não pela perda do irmão, mas pela perda da renda extra. Os amigos que sempre foram pouco se perderam a muito tempo, afinal ser um psicologo renomado tomava tempo, o que ele não tinha para perder em mesas de buteco. Chegando a essa lista diminuta não pensou duas vezes, encheu os pulmões com toda confiança e decretou:
– Melhor não arriscar! Afinal de contas depois trabalhar tão árduo era hora de um merecido descanso!

Ps.: Se você chegou até aqui merece um prêmio! Uma tirinha pra descontrair mais ainda!

Quem conta um Conto… O vulto

Olá pessoal!

Cá estou eu novamente para mais um conto de sexta-feira. Vou manter o estilo horror mas dessa vez vou contar algo na nossa realidade mesmo. Espero que gostem de ler como gostei de escrever. e escrevi muito.. da próxima prometo que reduzo.

Carlos Magalhães estava sentado no escuro em sua sala. As luzes que entravam pela janela eram dos postes da rua e da própria lua cheia. Era o primeiro dia de lua cheia.
Repórter de um jornal diário de uma cidade de médio porte de Minas Gerais ele havia sido transferido para a editoria de polícia a um ano após a demissão do repórter responsável.  Mesmo sendo novo na profissão era muito confiante, afinal já havia trabalhado na capital e estava no interior apenas pelo custo de vida e pelo salário que não era dos piores. Tinha um nome forte que ele dizia ser ‘nome de jornalista” até escolheu o nome do meio para manter a pose, já que seu ultimo nome, Silva, era comum demais.  Para ele ir para a editoria de polícia era uma afronta. Ele se sentia diminuido, era da capital oras, podia encarar a política daquela cidade. Mas seu editor disse que era por apenas alguns dias até encontrarem alguém. E já fazia um ano. Seu texto fez sucesso por ele contar detalhes e dar voz a vitimas e testemunhas. Colocava o nome de todo mundo sem pudor e sem ligar para segurança das pessoas. Queria que brigassem com ele, que o mudassem de editoria, mas o efeito foi o contrário, as pessoas viam que havia outros seres humanos por traz das notícias e com isso lá se foi um ano.

Carlos em uma sexta-feira agitada foi mandado para um bairro afastado, onde nem o asfalto havia chegado, para cobrir um homicídio. Aparentemente a mesma história de crimes passionais de sempre. Marido violento, mulher desesperada pede ajuda, ele é obrigado a sair de casa mas mantem as ameaças, até que finalmente consuma o ato. Treze facadas no peito da mulher e depois se matou.  Coisa normal de sexta dizia Carlos. No local o cenário era o normal de um homicídio em bairros mais humildes, vizinhos se amontoando para ver algo dentro da casa, parentes desesperados chorando, policais tentando afastar a multidão da cena do crime. Carlos e o fotógrafo chegaram no carro no jornal e logo chamaram a atenção dos populares. Eles foram os primeiros da imprensa a chegar já que Carlos mantinha em segredo um radio escuta para acompanhar as chamadas da polícia e assim ter alguns furos. A poeira e o calor daquela tarde de setembro estavam muito acima do normal e aceitável  e ele lamentou mais uma vez ter aceitado aquela editoria.

Ele fez o trabalho de praxe, conversou com policiais militares e civis e buscou moradores para contarem como eram as agressões do marido. Logo contaram para ele que havia uma testemunha, a cunhada da vítima, estava chegando na casa quando o homem cometia o crime. Ela estava catatonica como era de se esperar. Ver alguém morrer ao vivo é bem diferente de se ver isso na tv ou em um filme. CArlos chegou até a mulher com seu tradicional ar arrogante e interrompendo uma vizinha que a consolava.

-Boa tarde, sou Carlos Magalhães (ele sempre fazia questão de dizer o nome todo), repórter do Tribuna Diária e parece que a senhora viu o assassinato?

-Olha moço ela esta muito abalada acho que não vai…disse a vizinha.

-Ela só precisa me dizer rapidamente o que viu, não vou me demorar- interrompeu o repórter-.

A mulher levantou os olhos vazios e começou a descrever a cena:

-Cheguei a porta estava aberta e entrei, já tinha esse costume. Quando cheguei na sala vi ele de costas na cozinha, levantando e abaixoando o braço, ela gritava abafada… Tinha muito sangue… E aquele… aquele vulto parado do lado dele… Meu Deus…

Carlos olhava o redor com displiscente com o gravador próximo a boca da mulher mas prestou  atenção quando a mulher falou do vulto.

-Vulto, como assim vulto? Tinha mais alguém na casa?

-Não era alguém, não era… não era gente… Deus…
A mulher começou a chorar e as vizinhas afastaram o repórter ralhando com ele. Carlos correu até o delegado e o chamou para falar em particular. Ele disse que não havia outra pessoa na casa, quando chegaram o suspeito morto na frente do corpo ensanguentado, com um corte na garganta, com a faca nas mãos.  Não tinha como outra pessoa cometer o crime. O legista já havia adiantado que o corpo foi apenas esfaqueado enquanto ele esganava a mulher e depois cortou a própria garganta. Simples o crime já havia sido solucionado. Carlos voltou para o jornal e escreveu a fala da mulher pela primeira vez sem exagerar apenas que ela poderia ter visto outra pessoa na casa e que a polícia descartava a hipótese.
Um mês depois era seu plantão no final de semana. Era quase 4 horas da tarde de sábado quando o rádio da polícia chamou de novo. Ele ouviu outro homicídio passional. Dessa vez no Centro da cidade. No prédio de luxo ele entrou e encontrou com um cenário contido em relação ao crime anterior. Choros mais abafados e curiosos do lado de fora do condomínio. Apenas a imprensa e a polícia dentro. O homem, um empresário da cidade disparou treze vezes contra a mulher com uma pistola automática .40 que ele guardava em casa e depois contra a própria cabeça. Ele também havia mostrado sinais de violência e os vizinhos ouviam ele gritando com a mulher mas como era um condomínio de luxo as aparências eram mantidas. O delegado mostrou a imprensa um vídeo que mostrava o momento em que o homem chegava em casa pelo elevador e entrava no apartamento e deixava a porta aberta. Era possível ver o clarão dos tiros da porta. Mas o que chamou a atenção de Carlos não foi a imagem do homem entrando friamente para matar a mulher. Era um borrão no canto do corredor perto da porta. uma mancha preta. Um vulto.

Três dias depois novamente, outro homicídio. Um homem em um bairro calmo de classe média, um comerciante que já havia sido preso por tentar agredir a mulher com um pedaço de ferro voltou para casa e novamente a agrediu com um pedaço de ferro até matá-la. Treze golpes na cabeça. Segundo o legista contou para Carlos a cabeça da pobre moça  ficou irreconhecível. Carlos estranhou o padrão semelhante. E perguntou aos vizinho se viram mais alguém nas redondezas na noite do crime. Um vizinho disse que viu o homem chegando na casa da mulher. Ele gritava do lado de fora para que ela abrisse a porta. Este vizinho até ameaçou chamar a polícia e o comerciante foi embora. Mas voltou. Ele acredita que o assassino teve ajuda de um chaveiro. Pois ele o viu entrando na casa e podia jurar que havia outra pessoa com ele. Ele viu um vulto do lado do homem enquanto ele abria a porta dos fundos. Por isso chamou a polícia antes do homem se matar com uma corda enforcado.

Nos dois meses depois ocorreram cinco crimes semelhantes. Carlos acabou ficando obcecado pelos casos. Em todos havia o mesmo padrão. Homens violentos que terminavam matando suas companheiras. A arma do crime mudava mas eram sempre treze golpes, treze tiros e o suicídio a pós o crime. Carlos descobriu que ocorriam na lua cheia, geralmente nos primeiros dias. E o mais intrigante, em quase todos testemunhas viam um vulto próximo ao assassino antes do crime. Aquele vulto mexia com Carlos. Ele passou a acreditar que  havia algo de sobrenatural no caso e até tentou convencer seu editor a escrever sobre isso com várias pesquisas sore aparições e demônios e quase foi demitido por isso. Ele ficou omisso a todo o resto. Obsecado com o caso. Passou a discutir sempre com a namorada. Ele estranhamente estava sem paciência com ela e qualquer coisa era motivo de brigas. A medida que a próxima lua cheia se aproximava, ele ficava apreensivo, violento.

Suas brigas ficaram cada vez piores, ele sentia ciúmes de sua namorada com amigos e desconhecidos. Estava doentio. O máximo foi a dois dias da lua cheia em uma briga no carro, quando ela questionou sua sanidade por procurar o tal vulto, ele lhe deu um tapa no rosto. Aquilo foi a gota d’agua. Carlos nunca havia sido violento antes, era arrogante, mas carinhoso e atencioso. Sua namorada o deixou naquele momento e disse que não prestaria queixa se ele nunca mais a procurasse. Carlos ficou arrasado mas continuava estranhamente irado. Quando ela saiu do carro ele se assustou. Poderia jurar que havia alguém no banco de traz. Mas ele viu apenas um vulto.

Naquela noite de lua cheia ele chamou sua namorada para ir até lá. Disse que pediria desculpas de acordo. A mulher chegou na casa e ele estava sentado no escuro.

-Por que esta no escuro Carlos-perguntou com medo a mulher-?

-Assim não posso vê-lo-respondeu secamente-

-Ver quem?

-O vulto, ele me  escolheu agora Katia, por isso estou violento. E Hoje é o dia, primeiro dia da lua cheia. Posso sentir a presença dele aqui nessa sala.

-Esta me assustando Carlos, você ficou obsecado com essa história pare com isso, você precisa de ajuda, de um médico.

-Um médico não vai me ajudar. Ele não vai parar enquanto não completar o que ele quer.

-E o que ele quer Carlos?

-Quer que eu te mate Katia, ele quer que eu te mate.

Katia deu um passo para tras quando viu que Carlos estava armado. Ele ergueu a arma lentamente. A pistola cromada refletia a luz da lua que vinha da janela.

-Me desculpe Katia.

A arma disparou.

No dia seguinte o Jornal Tribuna Diária soltou uma nota de pesar. Seu repórter de polícia Carlos Magalhães Silva havia cometido suicídio na frente da namorada em seu apartamento. Vizinhos contaram que viram um estranho vulto na sala com o rapaz horas antes do suicídio.

PS. Colocaria ps’s mas como já escrevi muito vou deixar pra lá…

Quem conta um Conto: A cápsula: Parte 2

Agora vamos para a segunda parte de meu conto de horror! Se não leu a primeira está no post de baixo.

3h dia 08-03-2136

Os sonhos da minha tripulação continuaram e isso passou a me preocupar. Nos dois dias que estivemos lá percebemos o quão incomodo era para as pessoas da estação nossa presença. Inicialmente acreditei que era pelo fato de estarmos armados e sermos membros do exército em um ambiente arqueológico. Porém percebemos que poderia ser mais que isso quando o técnico Baltazar foi atacado por dois membros da escavação. Ele estava verificando o tal problema de comunicação e percebeu que estava tudo perfeitamente em ordem. Então ao chegar na parte inferior da estação foi surpreendido por dois técnicos que o agrediram. Isso gerou uma grande tensão entre meus subordinados e os membros da equipe de pesquisa que precisou de minha intervenção e do Dr. Kyu. Porém percebi que o Dr. Kyu ficou feliz com a atitude de seus subordinados e, segundo ele, para evitar novos problemas nossa equipe deveria se manter nos alojamentos aguardando para a saída. Baltazar nos contou depois que enquanto descia descobriu uma prisão improvisada na parte inferior da estação. Ele ouviu gritos de socorro dentro da prisão mas não teve tempo de identificar quantas pessoas estavam no local, pois foi surpreendido pelos dois homens. Antes de ser arrastado para a superfície da estatação ele jurou ter visto gigantescos olhos em uma das paredes que davam para o furo no Centro do Asteróide.

Naquela noite eu novamente tive o sonho evolvendo a fuga da nave e o estranho mantra em torno do buraco. Quando acordei suado e desorientado resolvi dar uma volta pela estação. Assim que abri a porta de meu alojamento encontrei a tenente Lima prestes a bater. Ela fez um sinal de silêncio para mim e pediu que a seguisse. Quando chegamos até a área de observação da escavação parei sem palavras ou ação. Em torno do furo no chão todos os pesquisadores estavam recitando um estranho mantra.

12h dia 09-03-2136

Após o incidente da ultima madrugada eu reuni minha equipe para tentar desvendar o que estava havendo na estação. O técnico Baltazar apresentou um comportamento estranho e violento. Ele repetia frases sem sentido e quase agrediu o outro técnico Fernandes durante uma discussão sem fundamento. Nosso acesso ao restante da estação ficou restrito após o incidente com Baltazar e por isso  ficamos isolados em nossos alojamentos. Pedi ao soldado Lorenzo para investigar as áreas inferiores da estação. Ele usou uma máscara de filtragem para evitar algum efeito dos tais bolsões de ar que suspeitávamos ter afetado Baltazar. O técnico Fernandes hakeou a rede da estação para buscar avaliar os vídeos de segurança para descobrir o que tem ocorrido na estação na última semana.

Nos vídeos ele retornou até o momento em que a cápsula foi retirada do furo. Notamos uma atividade muito acima da que era vista hoje na estação. Ela foi levada para a sala de pesquisas onde foi estudada por uma semana. Após a retirada da cápsula, o grupo de trabalhadores que fez o trabalho ficou violento e precisou ser contido sendo levado para o subsolo da estação. Durante as pesquisas foram encontrados os símbolos na parte externa e foi apertado o botão por um pesquisador. Um som agudo foi emitido após a abertura e todos os pesquisadores caíram tapando os ouvidos. Houve interferência dos vídeos a partir daí. Vimos muito pouco, apenas o trabalho para alargar o furo e a redução drástica da atividade em toda a estação ficando concentrada na cápsula e no furo. Fernandes conseguiu recuperar parte do material perdido. Nele vimos uma imagem turva de a tripulação em torno do furo e pela imagem esfumaçada parecia algo saindo do buraco. Pelo tamanho imaginamos ser uma coluna de fumaça embora tivesse uma estranha forma semelhante a de uma serpente ou minhoca.

01h dia 10-03-2136

Lorenzo não voltou da investigação o que nos deixou apreensivos. Tentei contato com ele através do rádio, mas ele não respondia e havia apenas estática. A tenente Lima se disponibilizou para ir atrás dele, então percebemos que Baltazar também havia desaparecido. Ele estava descontrolado demais e por isso nós o neutralizamos com calmantes e o amarramos na cama. A soldado Karina ficou de guarda, mas ele a enganou e conseguiu escapar. Durante a fuga ele atirou contra ela duas vezes. Tentamos socorre-la mas era tarde demais. Após percebermos a fuga de Baltazar tentamos novamente entrar em contato com o soldado Lorenzo novamente sem sucesso. Então chamei o Dr. Kyu até os alojamentos para informar que havia um homem violento a solta.  Ele esta aqui e estou indo encontrar com ele mas a tenente Lima já me informou que outros cinco homens estão com ele e estão armados. Acho que seremos detidos.

dia 11-03-2136

dia 12-03-2136

01h dia 13-03-2136

Acho que consegui…. (estática) …vamos droga! (estática) Capitão Guimaraes voltando a transmissão do diário de bordo. Estava detido nos ultimos dois dias mas consegui escapar e fugir da estação Antares. Não sei se os fatos que relatarei a seguir realmente aconteceram, ou se foram produto de minha mente cansada por algum tipo de gás alucinógeno que havia na estação. Espero que eu esteja drogado.

Quando chegou até o nosso alojamento o Dr. Kyu estava aparentemente calmo porém seus olhos estavam com profundas olheiras e veias vermelhas pulsavam em suas escleróricas. Informei do incidente e ele disse que não precisaria se preocupar pois o sargento não iria matar ninguém na estação. Quando o questionei por isso Baltazar e outros cinco técnicos entraram não alojamento. Estavamos detidos, fomos entregues por Baltazar. Tentamos lutar, consegui derrubar um dos capangas assim como a tenente Lima também o fez. Lutamos no alojamento mas não foi suficiente, Nosso piloto Ferreira ao tentar atacar o Dr. Kyu foi morto com um tiro disparado por Baltazar. Durante o embate fomos neutralizados com armas de choque e carregados. Ao sermos levados para a parte inferior da estação fomos colocados na prisão improvisada. Lá não havia ninguém além de nós. Várias manchas de sangue estavam por toda a parte. Não questionei ao Dr. Kyu o paradeiro de Lorenzo esperando que este estivesse escondido pela estação.

Passamos o dia presos e não ouvimos mais atividades na estação, apenas ruídos no fundo do asteróide abaixo de nós. Como se houvesse algo grande se movendo. No final do dia Dr. Kyu se aproximou de nós e mandou que seus capangas tirassem um de nós de dentro da cela. Tentamos evitar mas fomos impedidos com armas de choque. O técnico Fernandes foi retirado da cela e levado. Cerca de uma hora depois pudemos ouvir o estranho mantra recitado pelos tripulantes. Um tremor nos atingiu. Ouvimos algo subir pelo furo. Pelo tamanho do tremor e do ruido feito acreditamos que foi uma explosão de gás no fundo e que uma coluna subiu. Porém ouvimos um rugido. O mesmo que ouvíamos em nossos sonhos.

Após o incidente continuamos presos. O técnico Fernandes não voltou. O nosso piloto Hermes ficou paranóico após o incidente e começou a ficar desesperado para sair da cela. Tentamos acalmá-lo mas não adiantou muito. Ele se debatia e gritava dizendo que havia alguma coisa no asteróide e que seriamos devorados por ela. O Soldado Straus teve de desacordá-lo. Passamos a arquitetar um plano de fuga. Tentei entrar em contato novamente com Lorenzo mas não conseguimos. Novamente o Dr. Kyu voltou. Ele dessa vez levou o piloto desacordado. Novamente, o mesmo tremor, e o rugido se seguiram.

Eu e a tenente estávamos pensando no plano de fuga quando apareceu diante de nossa cela o soldado Lorenzo. Ele apresentava um ferimento no ombro. Disse que foi atacado e pensaram que ele estava morto. Ele abriu a cela e contou que tentaria nos levar para Garuda para fugirmos. Ele disse que precisávamos sair logo dali pois haviam instalado propulsores no asteróide. Eles iriam tirá-lo de sua orbita normal. Levá-lo para algum lugar habitado. Porém não chegamos até a nave. Durante nossa fuga quando chegamos na parte externa do asteróide Lorenzo se virou para nós armado e disse que deveríamos cooperar. Fomos cercados pelos membros da Estação e conduzidos até a beirada do furo. Vimos junto aos membros da estação com iguais olheiras e olhos pulsantes os membros da minha tripulação que foram tirados da cela. Lá o Dr. Kyu apareceu e com um sorriso e disse que seriamos agregados a comunidade. Segundo as palavras dele “O grande Gollodoth irá iluminá-los para assim seguirmos nossa viagem” Quando perguntei qual era o destino da viagem em questão ele respondeu que iriamos voltar para casa. Iríamos para a Terra.

Após o discurso do Dr. Kyu eles passaram a recitar os mantras e nos colocaram na beira do grande furo. A tenente Lima ficou apreensiva e disse que precisaríamos sair dali o mais rápido possível. Então o tremor começou. Olhando para baixo no furo não acreditei no quem meus olhos viram. Algo se mexia dentro do furo e percebi que subia para a superfície. Consegui distinguir algo que parecia uma cabeça quilométrica com vários pares de olhos e com uma bocarra imensa se abrindo. Então a coisa saiu de dentro do furo. Era imensa. Parecia um verme gigantesto com uma cabeça grande repleta de olhos e com uma bocarra cercada por dois pares de tenazes. No centro uma língua grande dividida por tentáculos saltava para fora. O verme rugiu um som impossivel de ser descrito. Ela ficou de pé no furo como uma naja. O que fez com que percebêssemos o tamanho assustador que possuía. Então aproximou a cabeça de nós e expeliu vários espóros do corpo. Os espóros pareciam grandes insetos que caiam no chão e caminhavam com pernas estranhas em direção aos seres vivos mais próximos. Os membros da tripulação não se incomodaram quando vários deles entraram pela carne de seus braços e pernas. Straus foi atingido por alguns esporos e caiu no chão se contorcendo. Vimos as coisas andando sob sua pele e indo em direção à cabeça. Então olhei para a tenente que fez um sinal de cabeça para mim. Nós dois nos aproveitamos que estavam todos absortos nos mantras e nos livramos dos nossos ex-amigos que nos seguravam na beira do furo. A tenente jogou o sargento Baltazar no buraco enquanto eu desacordei Fernandes e Hermes. O soldado Straus se contorcia no chão tossindo sangue. Tentei ajudá-lo mas a tenente me disse que não havia tempo. Atiramos com as armas que conseguimos nos espóros e nos viramos para fugir. Atiramos em quem entrou em nossa frente. Quando chegamos na parte superior percebemos que o monstro estava nos perseguindo. Se rastejando pela estação atrás de nós. Eu e a tenente chegamos até a nave e tivemos dificuldade de ligá-la. Ouvíamos pela transmissão ligada o mantra demoníaco recitado pelos membros da tripulação enquanto os tremores da aproximação do ser ficavam mais próximos. Ligamos Garuda pouco antes de avistarmos a cabeça gigantesca do monstro se aproximando do hangar.

Durante a viagem a tenente disse que havia algo no compartimento de carga. Quando verifiquei não pude acreditar. Era a cápsula. Ela deveria ter sido colocada em nossa nave para que a levássemos para a Terra. A Tenente disse que talvez a cápsula fosse uma espécie de sinalizador daquela coisa. Porém algo saltou sobre a tenente. Mas não era isso que a preocupava. Ela sentiu uma presença de algo vivo no compartimento. Um dos espóros do monstro estava na cápsula. Ele saltou sobre a tenente e entrou em seu braço. Ela gritou por ajuda mas não consegui impedir que o ser entrasse em seu corpo. Ela começou a tossir sangue e implorou que eu a matasse. Exitei por um instante porém quando seus olhos começaram a ficar vermelhos saquei minha arma e disparei.

Este é o ultimo relatório da unidade Garuda. Estou rumando em direção da estrela mais próxima. Como é arriscado levar esta cápsula para qualquer local habitado decidi destruí-la.  Programei a unidade para a rota com a estrela. Como os sistemas podem se comprometer durante a viagem devido ao campo gravitacional da estrela irei guiá-la pessoalmente. Espero que funcione.

Fim do diário de bordo.

P.S. Ficou grande né…Espero que tenham gostado

P.S. A nave se chama Garuda pois é um ser mitológico indiano, um pássaro do sol. Pensei que como o destino final dela seria numa estrela ficava apropriado. Além de fugir do clichê de colocar o nome de Ícaro…

Quem conta um Conto: A Cápsula: parte 1

Olá Pessoal! Gostei dessa história de contar contos (que coisa redundante não?) e estou estreiando por aqui com o meu. Voltado para  ficção científica e horror aproveitando que sou fã de H.P.Lovecraft. Espero que gostem de ler tanto quanto gostei de escrever. Como sou muito exagerado, meu texto ficou grandinho e por isso dividi em duas partes. A primeira vai hoje e a próxima na sexta-feira, no dia oficial de contos.

Diário de bordo da unidade XR356: Garuda

Operação de transporte protocolo: 37286 17-11-2137

Relator: Capitão Guimarães

Equipe de oito militares: Dois técnicos, dois pilotos, três soldados e um atirador

Sintese da missão:

Transportar a cápsula encontrada pela equipe de escavação da Estação Antares e levá-la para a Unidade de Pesquisas Avançadas no Setor 23 da galáxia. A Estação estuda a possibilidade de existir indícios de vida no asteróide após leituras térmicas indicarem alterações dentro do corpo celeste.

1:30h dia 01-02-2136

Primeira avaliação da missão após o despertar da suspenção da decolagem. Sistemas da unidade Garuda funcionando perfeitamente e em rota para o sistema V1200 para a Estação Antares em XR2765. A tripulação esta utilizando os equipamentos da academia para recobrar a coordenação motora e minimizar os efeitos da animação suspensa. Perdemos contato com a Estação Antares a algum tempo devido a uma tempestade magnética causada por uma estrela que passamos pela orbita a algumas semanas. Até agora não conseguimos recobrar toda a comunicação. A ultima mensagem que recebemos foi em sistema de texto e dizia “Venham Logo”. Havia mais uma parte da mensagem que os técnicos, sargentos Fernandes e Baltazar, estão tentando decifrar.

12:45h dia 04-03-2136

O uso do hiperespaço foi um sucesso e chegamos à orbita da estação. Novamente não conseguimos contato através de rádio ou vídeo. Mesmo assim devemos entrar em contato com a estação em pouco tempo. Os dois técnicos conseguiram identificar qual era o restante da mensagem. “Venham logo, por favor. Antes que ele acorde”. A previsão de chegada é de 12 horas.

0h dia 05-03-2136

Chegamos na Estação e fomos recebidos de forma suspeita pelos tripulantes. Quando chegamos fomos recepcionados pelo supervisor Dr. Kuon Dhon Kyu que demonstrou um comportamento também suspeito. Quando questionado sobre a mensagem ele disse que foi um erro de transmissão e que a mensagem que recebemos era conteúdo interno da estação, uma brincadeira de estagiários. Percebemos que os ocupantes da estação estavam com um comportamento estranho. Eles não estavam exercendo suas atividades e nos observavam o tempo todo. Percebemos ainda que todos apresentavam profundas olheiras como se não estivessem dormindo a dias. Pela contagem rápida do sargento Fernandes faltavam pelo menos 300 dos 1500 membros da pesquisa. Não estavam presentes nas áreas avistadas pela equipe dentro da Estação. O Dr. Kyu explicou estarem nos níveis inferiores analisando o furo.

Enquanto eramos levados para a sala de pesquisa da cápsula percebi que havia uma grande concentração de pessoas no centro da Estação onde ficava escavação. O corredor tinha uma parede de vidro que dava visão ampla da escavação no asteróide. O furo no centro da estação já era quilométrico e não havia trabalhos aparentes de escavação. As máquinas estavam paradas e os trabalhadores e pesquisadores apenas observavam o furo. Quando perguntei o que estava havendo o supervisor disse que um bolsão de gás foi encontrado dentro do Asteróide  próximo de onde havia a cápsula e por isso os pesquisadores haviam parado o trabalho para buscar novas informações sobre o que havia dentro do asteróide.

Ao chegarmos na sala de pesquisas encontramos a cápsula. Ela medida cerca de 3 metros de comprimento por 1,6 de largura. Estava dentro de um compartimento transparente. Os pesquisadores deste setor estavam mais ativos e analisando os computadores. A Cápsula possuia uma camada estranha de algo parecendo um limo de cor esverdeada que dava uma impressão de algo muito antigo. Ela estava rompida, porém não quebrada, era como se algo a tivesse aberto simétricamente no meio como uma porta. Não havia nada dentro dela e nas paredes internas havia símbolos desconhecidos.

Perguntei ao Dr. Kyu o que havia na cápsula e ele disse que não havia nada. Sobre os símbolos explicou que acreditavam ser de uma civilização alienígena antiga que usou o asteróide como estação. Ele explicou que durante as escavações diversos elementos, em ruínas, foram encontradas no interior do asteróide e que indicavam que uma forma de vida inteligente já esteve no local. Havia diversos elementos mas devido a ação do frio do espaço se deterioraram e se desfizeram. Apenas a cápsula em questão aguentou as mudanças de temperatura e deslocamento até a superfície. Ela foi analisada e um símbolo encontrado. Este foi apertado como um botão e o objeto se abriu. Agora os pesquisadores estavam buscando mais artefatos e analisando os simbolos. Devido as condições da estação a cápsula deveria ser removida para um ambiente mais esterelizado para ser estudada e o Dr. Kyu iria conosco.

Passaremos a semana na Estação para que todos os preparativos sejam entregues.

Minha atiradora, a tenente Lima disse que seus sentidos aumentados indicavam uma ameaça mas ela não conseguia identificar porque. Confiei em seu julgamento já que a tenente fazia parte de experimentos de aumento da área cognitiva do cérebro. Como resultado do projeto Parcas a permitia ter uma espécie de sexto sentido que a tornava mais sensível a análises e decisões com uma quase previsão de eventos futuros e sentido de perigo o que a tornava uma atiradora melhor.

6h dia 06-03-2136

Meus homens acordaram reclamando de terem tidos pesadelos durante toda a noite. Estranhamente estes pesadelos eram incrivelmente semelhantes. Eles se viam tentando fugir da estação, porém todas as portas que tomavam levavam à sala da cápsula. Pela janela dos corredores eles podiam ver todos os trabalhadores em torno do furo no chão e falando ao mesmo tempo uma espécie de mantra. Aparentemente havia algo dentro do furo, vivo, enorme e se mexendo. Então a coisa dentro do furo emite um som e eles acordavam.
Tentei tranquiliza-los dizendo que era apenas o fato de estarem impressionados com os indícios de vida alienigena tão fortes desde o incidente nas luas de Marte. O que não revelei a eles é que tive o mesmo sonho. Porém no meu o Dr. Kyu estava na sala de pesquisa com um sorriso diabólico no rosto. E quando acordei poderia jurar que ouvi o rugido da criatura ainda acordado.

Continua…

P.S. Escolhi uma ambientação abrasileirada pois ando nacionalista.

P.S. Parcas para quem não sabe são as fiandeiras do destino dos homens da mitologia grega. Elas determinavam a vida de cada homem e cortavam sua linha quando estes morriam. Com isso elas eram uma espécie de bruxas do tempo que até os deuses respeitavam. Achei interessante dar esse nome para alguém com habilidades de previsão e sexto sentido.

Quem conta um conto: A vizinha

Roberto era um cara comum, até demais, segundo sua esposa. Na casa dos seus 36 anos sentia que sua vida estava no meio. Afinal nunca pensou em viver muito mesmo. Acreditava que ser um centenário era mais um castigo do que uma proeza. Se bem que ser o meio era sua especialidade. Não era bom nem ruim em nada. Quando jovem não era o melhor nem o pior em notas. Nos esportes nunca foi último a ser escolhido nem muito menos o craque do time. E na vida amorosa então. Sempre a média. Nem feias, nem bonitas, nem muitas e nem poucas. Em resumo, nunca se destacou em nada. A não ser na mediocridade.

Pouco antes de completar 35 anos, Roberto teve uma crise de idade. Começou a se sentir velho. A sensação de estar caminhando para a metade final de sua vida se tornou real e muito pesada. Enquanto a maioria resolveria praticar esportes, comprar roupas novas e ler todos os livros sobre sexo tântrico ele não. Seria ridículo demais. O mais honrado neste momento era aceitar o rótulo de tiozinho.

Lucia, sua esposa, foi quem mais se zangou com essa decisão. Não que o antigo Roberto fosse a realização de seus sonhos. Longe disso, o achava conformado demais, pacato demais e o seu adjetivo favorito, previsível demais. A diferença de 6 anos do casal nunca tinha sido tão desconfortável como agora. Ao completar 30 anos e se ver uma balzaquiana, Lúcia queria mudanças. Queria engravidar, coisa que antes nunca quis. Dizia que ser enfermeira era cuidar dos filhos dos outros. Queria mudar para uma casa melhor, queria um carro melhor. Tudo o que Roberto abrira mão de querer agora que sentia a morte lentamente chegando.

Era um daqueles dias em que o verão faz jus ao que se propõe, onde os pingüins não estão em cima da geladeira, mas sim dentro do congelador para ver se conseguem esfriar a cabeça. Depois de muito suar Roberto decidiu tomar um banho para se refrescar. Quando desligou o chuveiro percebeu que tinha esquecido a toalha. Como estava sozinho em casa, afinal a esposa trabalhava no turno da noite, ficou pensando em como faria. Estou em minha casa, que mal há em sair daqui pelado? Pensou de repente. E em um ato de rebeldia respirou fundo e saiu como viera ao mundo. Ainda empolgado com tal façanha, afinal de contas se a esposa estivesse em casa ele não estaria fazendo aquilo, resolveu que assim ficaria. O calor que fazia foi determinante na decisão.

Ao ir para sala resolveu dar um daqueles piques que crianças arteiras dão dentro de casa, quando escorregou em um tapete colocado criminosamente em um corredor bem encerado pela diarista. Estatelou-se no chão com tudo o que tinha direito. Quando abriu os olhos acreditava que veria as portas do céu ou o pronto-socorro onde Lúcia estava de plantão. Ao finalmente se pôr de pé conferiu se algo estava quebrado ou sujo de sangue. Não agüentou e caiu na risada imaginando a própria cena. Riu mais ainda quando imaginou a cara da esposa ao chegar e encontrar o “Sr. Previsível da Silva” caído pelado no corredor do apartamento.

Caminhando e manquitolando conseguiu sentar no sofá. Ao olhar para a janela não acreditou no que via. Esfregou os olhos para ver se estava alucinando da pancada. Via uma moça no apartamento da frente dançando graciosamente. A ninfeta não passava dos seus 18 aninhos, de pele imaculadamente branca e um ardente cabelo vermelho. Chegava a jurar que tinha visto, mesmo com toda a miopia que seus olhos puderam lhe dar, um cristalino par de olhos azuis. Quando mais ela dançava mais chamava a sua atenção como os seus seios eram tão rijos e suculentos. Ao reparar bem naquela cintura e quadril agora entendia o significado da expressão “mulher violão”. Como podia nunca ter reparado naquele pitelzinho logo ali atravessando a rua? Resolveu chegar na janela mesmo estando nu. Ao chegar e ficar parado fitando fixamente a ninfeta se sentiu vivo novamente. De repente ela se virou e sem saber se escondia ou acenava ficou travado, não menos de repente seu celular tocou. Dando um susto tão grande que não sabia se a jovem o havia visto. Quando atendeu, Lúcia disse com uma voz tensa e sem afeto que esquecera a chave em casa e que não era para ele dormir pesado porque teria que abrir o portão para ela. Quando voltou a musa dançarina não estava mais lá e o apartamento estava todo apagado. Roberto não sabia o quanto aquilo havia mexido com ele, mas que estava diferente isto ele sabia.

No dia seguinte não conseguiu trabalhar. Ficou o dia todo desenhando a nifetinha. Sim! Roberto desenhava! Não era um excelente desenhista, e como era de se esperar era mediano. Fez rascunhos da moça em todos os papeis que via pela frente. Parou quando percebeu que sua baia estava cheia daqueles papeizinhos amarelo de recados com ruivinhas pregados por todos os lados. Ao ir embora resolveu passar no shopping e comprar um binóculo. Ao invés disso saiu com uma luneta. Quando chegou em casa é que pensou em como explicar isso para a esposa. Reconhecidos por todos como um pão duro incorrigível, como podia comprar um trambolho daqueles. Se descobriu um mentiroso de mão cheia quando disse para a esposa que resolvera que passariam mais tempo na roça de seu pai para encomendar o filho que ela tanto queria.

Na primeira noite que ficou sozinho em casa a misteriosa não apareceu. Nos dias seguintes Lúcia teve folga do trabalho. Como havia prometido o herdeiro para encobrir a luneta teve que comparecer durante toda noite, mesmo que seu pensamento estivesse na vizinha. Quando começava a pensar naquele corpo se animava como nunca antes. Lúcia ficou surpresa, mas não quis dizer nada por que independente do que tenha sido para ela estava ótimo. Procurou jeitos de perguntar sobre o prédio da frente sem levantar suspeita. Obteve como resposta apenas que a esposa trabalhava muito e não tinha tempo para saber da vida alheia.

A ansiedade em ver a vizinha novamente o corroia as idéias. Afinal depois de vários dias com os olhos fixos para a janela e nada dela aparecer já pensava em vender a luneta e estava convencido que aquilo provavelmente era uma alucinação da queda. Quando resolveu dar mais uma olhadinha para o apartamento da frente mal pode acreditar no que via. Todas as janelas estavam abertas e acesas. Achou estranho mas com o calor que estava fazendo e um possível medo de escuro achou razoável. Lá estava ela. Deitada confortavelmente de bruços em um sofá balançando os pezinhos enquanto lia um livro de capa escarlate. Mesmo se esforçando não conseguiu ver o título. Preferiu acompanhar o desenho de cada curva daquele corpo. Do narizinho empinadinho até os pezinhos delicados balançando suavemente. Quando ela limpou uma lágrima escorrendo pela bochecha Roberto sentiu uma palpitação que quase lhe tirou o fôlego. Venceu o impulso de sair correndo e ir até lá quando ela fechou o livro e se levantou. Caminhando vagarosamente ao quarto onde começou a tirar a pouca roupa que vestia. Deu três tapinhas na luneta como que agradecendo cada centavo que gastara naquilo. Parou de respirar quando a vizinha ficou apenas de calcinha de algodão na frente do espelho dando tapinhas na barriga para ver se estava tudo no lugar. E como estava! Acreditou ainda mais em Deus quando ela se virou para conferir se seu bumbum estava nos conformes. Só se lembrou de soltar o ar e puxa-lo de volta quando ela pegou a toalha e foi para o banheiro.

Começou a andar pela sala como um leão da savana trancado em uma pequena jaula de um circo menor ainda. Queria pensar em um motivo para ir até lá. Estava decidido. Chegou na janela para contar os andares mas o apartamento estava totalmente apagado. Nem teve tempo de pensar em um porque, Lúcia acabara de chegar do trabalho. Nem perguntou o porquê ela chegou mais cedo. Estava zangado demais com a interrupção para falar alguma coisa sem levantar suspeita.

E por várias noites o mesmo ritual acontecia. A vizinha aparecia, Roberto ficava completamente enlouquecido e quando resolvera ir até lá algo o impedia. Tornou-se agressivo e seu relacionamento com o mundo a sua volta ficava cada vez pior. Seu rendimento no trabalho que nunca foi bom se tornou nulo. Numa discussão mandou o chefe às favas e nunca mais voltou. Ao invés de contar à esposa o que havia acontecido, saía religiosamente no mesmo horário para o trabalho mas ficava na porta do prédio da frente esperando a vizinha sair ou chegar. E por dias isso ocorreu.

Em um desses dias de tocaia não se agüentou e adentrou no tal prédio da frente, rumo ao 4º andar. Quando chegou diante da porta fraquejou, mas como já tinha chegado até ali não retornaria. Mal acabou de tocar a campainha e o seu anjo proibido de cabelos vermelhos abriu a porta. Com o sorriso de canto de boca mais safado que este mundo já viu pronunciou palavras que foram música para Roberto: “Porque demorou tanto? Pensei que nunca viria.” A enlaçou pela cintura e vagarosamente para aproveitar aquele momento foi aproximando para tascar um beijo naquela boca suculenta quando sentiu um choque violento por seu corpo. Abriu os olhos e viu de relance uma confusão de imagens, e novamente a vizinha. Quando tentava entender o que havia ocorrido um novo choque tomou-lhe a razão. Abriu de uma vez os olhos e entendeu onde estava. Entubado em um leito de CTI com toda uma equipe médica ao seu redor e um médico com um reanimador estralando nas mãos. Uma lágrima escorreu de seu olho, todos acharam que era felicidade por estar vivo, mas na verdade era o desespero por voltar para sua merda de vida.

Depois de alguns dias de observação, muitas visitas e várias explicações de que havia caído no tapete do corredor e sido encontrado pelado, desmaiado e sobrevivido por milagre voltou para casa. Enquanto todos achavam que o silêncio de Roberto era efeito do acidente ele sabia que desejava realmente ter morrido. Ao chegar em casa olhou primeiro para o prédio da frente. Reparou que havia um caminhão de mudança trazendo uma nova família para aquele prédio. Enquanto Lúcia pagava o táxi, de pé no passeio reparou que as janelas do apartamento do 4º andar estavam abertas. Olhando de volta para o caminhão viu sair dele uma ninfetinha de pele imaculadamente branca e um ardente cabelo vermelho. Após a tradicional palpitação viu que ela, com o sorriso de canto de boca mais safado que este mundo já viu, piscar para ele. E sim, ela tinha olhos azuis.

Quem conta um conto: Nascida a contragosto

“O mundo a acolheu por pura caridade.” Esta seria a melhor frase para a lápide dela. A mãe passou por 9 meses de muito arrependimento e constantemente pensando em aborto. Talvez não tenha tido tanta força como gostaria. Perdera a coragem quando a pequena sobrevivera a segunda tentativa, onde quase que ela mesma que perde a vida. Tentar a terceira ficou meio arriscado. O pai fugiu de casa para não arcar com a responsabilidade. Afinal estava mordido pela pior das dores, a “Dor de Corno”. Mesmo que não podendo comprovar a traição tomou rumo ignorado. Provavelmente nem precisava, afinal as trofas e galhofas por onde passava já lhe tiravam o juízo. Como matar não era de seu feitio foi dar com a vida em outros cantos.

Quando finalmente veio ao mundo o irmão ainda muleque a culpava pela ausência de seu “pai-herói”. Uma espécie de “Complexo de Édipo” as avessas. O menino era mais identificado com o pai do que com a mãe. Beliscões, solavancos e xingamentos estavam mais presentes do que papinha e roupinhas de tricot. Talvez tenha sido o início de uma longa vida de crimes e de cadeias do pequeno malfazejo.

Mesmo com todo veneno e terreno inóspito ela crescia com a força de uma erva daninha em meio a pedregulhos. Mas nem de longe tinha tal aparência. Estava mais para uma pequena roseirinha de pote. Como era bonitinha a diabinha! Olhinhos grandes e sinceramente inocentes. Pois somente assim para não ver como realmente era sua vinda a este mundo.

Enquanto o tempo ía passando foi desenvolvendo uma personalidade forte, de bastante energia e muito atraente. A todos remexia com seu jeito de falar fácil. De voz forte vinda de um corpo pequeno, delicado e formoso. Era impossível ficar impassível diante dela. Nos homens a ausência do pai despertava uma vontade de a colocar no colo. Na maioria no sentido literal e com outras conotações mais carnais e alguns poucos com um sentimento pueril. E isto que as mulheres em geral não perdoavam. A quase totalidade das descontroladas a via como um mal a médio e longo prazo! Capaz de enfeitiçar o seu já entediado e safado marido. E quando isso acontece a alma feminina é implacável. No amor, na guerra e na fofoca não existe honra, apenas um objetivo a ser conquistado. E nesse caso fazer da vida da pequena um inferno era questão de tempo.

Em cada busca pelo amor verdadeiro que foi perceber o quanto o destino não a queria bem. E pelo tanto que acreditou e foi enganada por galantes apaixonados percebeu tardiamente que o ódio das fiandeiras das tramas do destino por ela era irremediavelmente grande. Quando as sucessivas decepções se tornaram pesadas demais resolveu que essas coisas de amor não era mais para ela. E pior. Começou a sentir uma raiva incontida de quem estava bem nas coisas do coração a sua volta. Resolveu que iria ser aquilo que todos já diziam. Como já tinha a fama então deitaria realmente na cama. Casados, noivos ou simplesmente namorados, o que importava é ter compromisso.

E assim foi. Até que a “má gramática da vida” começou a escrever torto em linhas ainda mais tortas. Quanto mais corria do amor, mais despertava paixões. Homens lhe entregavam os corações da mesma forma ingênua e dedicada que fizera um dia. Porém se mantia firme em seu exílio. Porém em um dia casual, após uma longa conversa sobre coisas de amor com um daqueles que poderia ser o homem de sua vida sentiu um impulso incontrolável. Queria dizer algo não para aquele homem em sua frente, mas sim para algo muito maior. Após outra jura sincera de amor o pegou pela face, fitando-lhe diretamente nos olhos e disse:

– A muito me retirei das coisas do amor para não me retirar da vida. Esta vitória você não terá. Demorei para perceber que não me queria por aqui, que dirá me queria feliz. Continuarei levando a vida que me foi permitida construir mesmo com todas as dificuldades.

Neste momento os olhos do rapaz brilharam diferente. Uma gota que caía de uma calha parou, ficando suspensa no ar. O tempo tinha parado. Foi a vez dela ter o rosto colhido em mãos. E a voz mais seca que então tinha ouvido ressoou por toda a sala:

– Você era a mais doce das criaturas. Umas das mais dotadas de bondade. Foi colocada em meio a podridão para saber quanto tempo demoraria para corromper-se. Em uma aposta sempre há um vencedor. Eu venci.

Enquanto ainda esfregava os olhos viu um vulto saindo pela porta. Sem saber se havia sonhado correu para ver se o alcançava. Mas não havia ninguém no corredor. Não sabia o que tinha acontecido, mas sabia que sua vida enfim mudaria…

ps.: Neste momento você de estar se perguntando mas qual é o nome dela? Acho melhor não dizer. Talvez você a conheça, talvez você a tenha visto por aí e talvez você tenha ajudado a corrompe-la. Talvez ela exista, talvez não. Talvez…

A guerra literária na Guerra dos Tronos

Desde oito de maio (ou antes, para quem visitou uma “importadora”) a série televisa da HBO The Game of Thrones, ou A Guerra dos Tronos, baseada na série literária de George R. R. Martin tem sido o foco das críticas e resenhas nos sites especializados. A série, que se passa em um mundo fictício, relata a guerra de famílias nobres para conquistar o poder máximo de Westeros: O Trono de Ferro.

Como fui veementemente orientado para não publicar nenhum tipo de spoiler (mesmo porque as resenhas de outros sites já esgotaram ao máximo as críticas sobre a história), decidi deslanchar aqui uma análise voltada mais pela escrita de Martin e a comparação inevitável feita entre ele e outros autores da literatura fantástica de capa e espada, como Tolkien.

Pra começar, Martin tem um tato especial para lidar com um gama incontável de personagens. Quem começar a ler o primeiro volume pode até mesmo ficar perdido nos primeiros capítulos até conseguir conhecer melhor os personagens. Quando foi anunciada a adaptação, sinceramente, duvidei que pudesse render um bom resultado, mas pelo visto estava enganado.

O autor teve uma preocupação de pensar e retratar com detalhes a personalidade de seus personagens, desde o chefe da casa Stark, Eddard Stark, até um simples escudeiro, personagem secundário que nada mais faz além de cumprir suas obrigações. Esse nível de detalhamento transforma os livros em calhamaços que facilmente ultrapassam as 500 páginas (dizem que o terceiro volume terá mais de 1.200). Como um bom leitor de literatura fantástica no geral, a narrativa de Martin é muito semelhante ao estilo de King.

Em The Stand (A Dança da Morte), o autor de Carrie, Christine, O Iluminado e tantos outros sucessos, escreve uma introdução bem interessante para justificar o porquê da criação e do relato de pequenos detalhes da história que costumam ocupar grande parte dos livros. Nesse relato, que aqui resumo, King conta a história de João e Maria de duas formas. A primeira ele diz que um casal de crianças se perde na floresta, encontra uma bruxa malvada, que os aprisiona para se alimentar deles depois. Porém, os dois conseguem escapar, atiram a bruxa no forno e fogem de volta para os seus pais. Já na segunda versão, ele conta novamente a história, mas dessa vez inserindo os detalhes que tantos de nós conhecemos desde a infância, como as migalhas de pão, o osso no lugar do dedo e a casinha de doces.

Sendo um dos meus autores preferidos, defendo o ponto de vista de King de que uma boa história demanda detalhes e é isso o que Martin faz em sua Guerra dos Tronos. Tolkien bebe um pouco dessa fonte, mas no seu caso, os detalhes não estão necessariamente na história do Senhor dos Anéis em si, mas sim, no mundo todo da Terra Média, como a linguagem das criaturas, criação do mundo e heróis do passado.

Entretanto, para quem leu Tolkien bem antes do filme (assim como eu), a narrativa dele nem sempre é atrativa. Quero deixar claro aqui que de modo algum pretendo desvalorizar o trabalho do pai de Frodo e cia, mesmo porque ainda me lembro de que quando li, fiquei tão empolgado quanto na obra de Martin.

No caso de Tolkien, a fantasia é gritante, com anões, elfos, hobbits, orcs e outras criaturas caminhando pela Terra Média. A história segue bem os passos do herói clássico, como Luke Skywalker, que vivia em um lugar ermo e tranquilo e se vê obrigado a entrar em uma guerra que até então não acreditava ser sua. A temática é bem maquiavélica, com mau literalmente encarnado em Sauron e com alguns outros personagens confusos em relação do que fazer.

Já Martin parte de um pressuposto de não ter um personagem principal, mas uma leva gigantesca. No caso do livro, o autor utiliza uma ferramenta bem empregada por Stoker, em Drácula, escrevendo os capítulos sob a ótica de personagens diferentes. Essa iniciativa, de certa forma, coloca o leitor mais perto do personagem, porque ele tende a ver os desdobramentos dos acontecimentos sob a ótica do personagem, seja Bram Stark, em Winterfell, ou Tyron Lannister, em Porto Real, na Muralha e no Ninho da Águia.

Outra diferença gritante entre Tolkien e Martin é que em O Senhor dos Anéis, a história é escrita com mais pudor e nas crônicas de Westeros o sexo, envenenamento, traições e assassinatos são rotineiros. Pelo trono de ferro, as famílias poderosas dos Sete Reinos Livres não medem esforços para tomar aquilo que mais querem: poder.

Para quem joga RPG (onde o forte são as histórias de capa e espada), o Senhor dos Anéis está mais para um D&D, com monstros a serem detidos com armas mágicas e bolas de fogo e a ação de um grupo de heróis para destruir um grande mal. Já a Guerra dos Tronos tem mais proximidade com a temática dos livros da White Wolf, principalmente Vampiro, onde clãs sanguíneos ou ideológicos se unem para conquistar cargos de influência por meio de maquinações políticas, traições e mortes.

Já em relação à adaptação, GoT é extremamente bem feita. Não é a toa que as produções da HBO sejam tão bem cotadas no mercado. O que me assombrou foi como a produtora conseguiu enxugar ou cortar aqueles detalhes que citei acima sem estragar a história (o que dificilmente as produtoras de longas conseguem fazer com as obras de King).

A série está no quinto episódio (ou no sexto, se você estiver lendo esse artigo depois do dia 23 de maio). Até o corte da presença dos lobos gigantes dos Stark, tão presentes nos livros, não tirou o brilho da série. Os personagens ficaram bem caracterizados, com atenção especial para o ator que interpreta Tyron Lannister. Peter Dinklage é um anão na vida real (e já viveu o vilão Simon, do filme Vira-Lata), mas no papel do Duende, o filho deformado de Tywin Lannister, ficou impecável. Para mim, o personagem mais bacana de toda a obra, tanto nos livros quanto na adaptação.

Mas agora, já vestindo o meu terno de advogado do diabo, sou obrigado a dizer que apesar de A Guerra dos Tronos ter um apelo mais malicioso, com uma história repleta de tramas e reviravoltas, a obra de Tolkien não fica muito atrás. Para quem não sabe, O Senhor dos Anéis é somente parte do que das histórias da Terra Média e os contos que fazem parte de outros dois livros (Contos Inacabados e Silmarillion, já lançados no Brasil), contem mais ação, mais sangue e histórias mais densas, como a de Berem.

Já a obra de Martin, só posso comparar em pé de igualdade para outra obra de literatura fantástica: a primeira trilogia de Dragonlance. Criada e escrita por Margareth Weis e Tracy Hickman há mais de 20 anos, a série que conta as histórias se Tannis e seus companheiros une as criaturas fantásticas de Tolkien com a trama de Martin, aliada ainda a uma narrativa ágil, engraçada e atrativa.

Para quem curte séries televisivas, The Game of Thrones é uma excelente pedida, mas ainda recomendo o livro. A cena em quem Tyron encontra Catelyn Stark em uma taverna, ainda no primeiro livro, é fantástica (esse é o único spoiler que darei – hehehehe).

Ainda estou lendo o segundo livro e espero encerra-lo logo. A previsão é que cada temporada da série corresponda a um livro. O terceiro volume, A Tormenta de Espadas, está previsto para Setembro deste ano. A Feast for Crows, quarto volume, para o início de 2012. O quinto volume, A Dance with Dragons, ainda está sendo escrito e está previsto para Julho de 2016. The Winds of Winter e A Dream of Spring, sexto e sétimo volumes respectivamente, ainda não tem previsão de publicação.

Eita! 04 de Maio de 2011, data histórica!

Saudações! No dia 04 de Maio de 2011 este projeto que começou besta e sem pretenções alcançou a marca de 100.000 visitas. É verdade que demoramos 3 anos e 3 meses para isso, o que muitos podem parecer pouca coisa. Mas, para nós não é! E aproveitamos o marco para presentear você!

Selo comemorativo das 100.000 visitas!

Aí você se pergunta: “UEBA! O que vou ganhar?” Você acaba de ganhar totalmente “de grátis” uma cara nova para o seu blog favorito! E não é só isso! Você vai voltar a ter atualizações diárias, no máximo semanais (assim espero!). Quase tudo dessa popesfera que virou nosso planetinha. A mesma pegada com muito cinema, lívros, HQ e é claro muito video game!

Isso porque a meta agora é atingir 100.000 visitas em 1 ano! Contamos com vocês!

Não perca!

P.S. Mesmo sabendo que ninguém vai ler isso, que não temos leitores fixo e que ninguém vai procurar nada disso no google resolvemos escrever esse post.